Consumidor está mais animado para gastar no Dia das Crianças
Economia
11 Outubro 2017

Consumidor está mais animado para gastar no Dia das Crianças

“As condições mais favoráveis do ambiente macroeconômico, com queda dos juros, menor inflação e ligeira redução do nível de endividamento das famílias, possibilitam uma recuperação no ímpeto do consumidor em gastar mais no Dia das Crianças superior aos dois últimos anos”, afirma Viviane Seda Bittencourt, do IBRE.

Os brasileiros estão mais dispostos a desembolsar com os presentes do Dia das Crianças: a média de intenção de gasto ficou em R$ 82,50 este ano, contra R$ 78,60 em 2016. A constatação é da pesquisa da Sondagem do Consumidor, elaborada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), que ouviu 1.830 mil pessoas em setembro. O indicador que mede o ímpeto de gastos avançou 5,0 pontos, de 59,3 para 64,3 pontos, interrompendo a trajetória de queda iniciada em 2014.

“As condições mais favoráveis do ambiente macroeconômico, com queda dos juros, menor inflação e ligeira redução do nível de endividamento das famílias, possibilitam uma recuperação no ímpeto do consumidor em gastar mais no Dia das Crianças superior aos dois últimos anos. O resultado é influenciado pelas famílias com maior poder aquisitivo (ganham mais de R$ 9.600) que já estão com o orçamento doméstico mais equilibrado e têm boas perspectivas em relação ao curto prazo”, afirma Viviane Seda Bittencourt, coordenadora da Sondagem do Consumidor do IBRE.

A pesquisadora aponta que três das quatro faixas de renda apresentaram aumento, exceto o grupo que ganha entre R$ 2.101 e R$ 4.800, cujo indicador recuou 0,7 ponto. Em compensação, os consumidores com renda familiar até R$ 2.100 são os que devem aumentar mais o valor do presente este ano em relação a 2016, em torno de 14,9%, ou de R$ 47 para R$ 54, em média. Os brinquedos são os preferidos (56,4%), seguidos por vestuário (25%) e livros (5,4%).

 

Brinquedos e roupas abaixo da inflação. Serviços mais caros

A variação média dos preços de produtos e serviços para o Dia das Crianças ficou em 4,13%, acima da inflação acumulada entre outubro de 2016 e setembro de 2017, calculado pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC/FGV) do IBRE, que foi de 3,17%.

A boa notícia está na variação de preços dos itens preferidos por mamães e papais: os brinquedos (despesas com presentes) subiram em média apenas 0,63% nos últimos 12 meses. Destaque para os tradicionais como bicicletas (-2,76%), bonecas (-1,95%) e artigos esportivos (-1,93%). As roupas infantis registraram aumento de 1,15%, menos da metade da inflação do período, e jogos para recreação subiram 5,89%.

Já as despesas com lazer foram as que mais subiram, 4,76% em média, puxadas principalmente por doces e salgados (7,62%) e salas de espetáculo (cinema, show e teatro), que tiveram elevação de 6,72%.

“O ritmo de desaceleração foi de três pontos percentuais nos últimos dois anos, de 9,19% em 2015 para 7,19% este ano. A desaceleração de 2016 para 2017 foi de três pontos, acompanhando o ritmo de desaceleração da inflação”, destacou André Braz, coordenador do IPC do FGV IBRE e responsável pelo levantamento.

Para o economista, apesar das boas notícias é período de cautela. “A condição do mercado de trabalho não é favorável ainda. Mesmo que os preços estejam convidativos, as vendas não devem ter um crescimento expressivo. A economia não está aquecida e o cenário no mercado de trabalho está excluindo muitos pais, que ainda não estão em condições de gastar”, avaliou Braz.

O estudo completo está disponível no site.

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