Estudo da FGV Energia aborda desenvolvimento da indústria de Carros Elétricos
Energia
06 Junho

Estudo da FGV Energia aborda desenvolvimento da indústria de Carros Elétricos

Nesta edição dos Cadernos FGV Energia, os pesquisadores analisam os impactos e desafios da inserção dos carros elétricos no mercado brasileiro

A FGV Energia lançou, no dia 24 de maio, um caderno especial com a temática dos carros elétricos. Essa publicação é a sétima de uma série que vem, desde 2014, analisando temas de relevância para o setor energético do Brasil e do mundo.

Nesta edição dos Cadernos FGV Energia, os pesquisadores analisam os impactos e desafios da inserção dos carros elétricos no mercado brasileiro. Para tanto, primeiramente busca-se entender por que o mundo está considerando cada vez mais esse tipo de veículo. São duas as explicações possíveis: a transição energética que está ocorrendo no mundo todo em resposta ao aquecimento global e a maior eficiência energética dos carros elétricos quando comparados aos veículos à combustão interna, além do fato de ser um nicho de mercado a ser desenvolvido, repleto de oportunidades de negócios para vários setores da economia.

Em relação à primeira questão, em novembro de 2016, entrou em vigor o Acordo de Paris, no qual a maior parte dos países do mundo se comprometeu a limitar o aumento da temperatura global neste século em até 2 graus em relação aos níveis pré-industriais. Para esse fim, os países devem reduzir suas emissões de gases causadores do efeito estufa (GEE). Um dos setores da economia global que mais emite GEE é o de transportes. Assim, a fim de descarbonizar esse setor, uma transição para a mobilidade elétrica é necessária, levando em conta que para esse esforço realmente ter efeito, a eletricidade que abastece os veículos deve vir de uma fonte renovável, que não emita GEE.

Em segundo lugar, os carros elétricos são mais eficientes que os veículos convencionais usados atualmente – a eficiência energética de um carro elétrico ultrapassa 80%, enquanto que, em um carro à combustão interna, esse valor se situa entre 15% e 20%. Dessa forma, os carros elétricos representam a evolução natural da tecnologia veicular – que vem se desenvolvendo desde a invenção do automóvel no século XIX.

Tendo essas necessidades em mente, a mobilidade elétrica já vem se desenvolvendo a diferentes velocidades ao redor do planeta – países como Noruega, Holanda, China e EUA são destaques mundiais no assunto. No Brasil, os carros elétricos ainda estão chegando timidamente. No final de 2016, existiam no país pouco mais que 3.600 carros movidos a eletricidade. A expectativa é de maior desenvolvimento na próxima década, quando os automóveis elétricos devem alcançar 2,5% do total de veículos licenciados em 2026, de acordo com dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

A publicação explica, porém, que vários desafios ainda precisam ser transpostos para os carros elétricos se desenvolverem no Brasil, assim como em outros países. A disponibilidade de infraestrutura de recarga, o preço ainda elevado das baterias, a baixa autonomia dos carros elétricos quando comparados a veículos convencionais, além da necessidade de incentivos para maior adoção são alguns dos entraves para o desenvolvimento dessa tecnologia. Os pesquisadores destacaram, porém, que novas oportunidades de negócios surgem do advento dos carros elétrico para os diversos setores envolvidos – elétrico, automotivo e de mobilidade como um todo.

Durante o evento de lançamento, esses desafios e oportunidades foram discutidos pelos representantes do governo, José Mauro Ferreira Coelho e Ricardo Gorini (EPE); Reive Barros (Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL); Bruno Cecchetti (Enel Brasil); Marco Saltini, (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores - ANFAVEA); Ângelo Leite (Grupo Serttel); Celso Novais (Programa Veículo Elétrico da Itaipu Binacional; e Claudia do Nascimento Martins (Associação Brasileira do Veículo Elétrico - ABVE).

A publicação está disponível para leitura no site.