Indicadores de criminalidade no Rio voltam a patamares de antes das UPPs, mostra estudo da DAPP
Políticas Públicas
19 Maio

Indicadores de criminalidade no Rio voltam a patamares de antes das UPPs, mostra estudo da DAPP

O cenário da década evidencia que, apesar da redução considerável das taxas de homicídio doloso no estado durante o período, o espalhamento da mancha criminal para Baixada e o interior tornou-se um novo desafio.

A mancha criminal no estado do Rio ampliou-se para novas regiões nos últimos dez anos, agravando-se, principalmente, na Baixada Fluminense e no interior. Levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (DAPP) a partir de dados publicados pelo Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP) aponta que ambas localidades concentravam 48% dos homicídios dolosos em 2006, alcançando o patamar de 65% em 2016. Já a capital registrou redução no total de assassinatos registrados no período, passando de 39% a 26%.

O cenário da década — período que compreende a gestão mais duradoura da Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro — evidencia que, apesar da redução considerável das taxas de homicídio doloso no estado durante o período, o espalhamento da mancha criminal para Baixada e o interior tornou-se um novo desafio. O panorama na capital, porém, também tem pontos críticos: embora registre queda de 46% no número de homicídios entre 2006 e 2016, os desaparecimentos aumentaram 51% no período. Em 2015, a taxa de desaparecidos alcançou o ápice: 38,36 a cada 100 mil habitantes.

Após quedas consistentes ao longo do período de instalação das UPPs, em 2015, a taxa de letalidade violenta a cada 100 mil habitantes nas UPPs quase igualou-se a do município, e dobrou em relação ao número alcançado em 2013. Além disso, em 2014, 12 dos 13 policiais mortos em serviço no município do Rio de Janeiro foram assassinados em áreas de UPP.

Outros indicadores para a avaliação de políticas de segurança e da percepção de insegurança na última década também apontam para o mesmo quadro. O roubo de veículos é o indicador que compensa mais rápido o ganho alcançado na primeira metade da década: entre 2006 e 2011, foi reduzido em 46%; contudo, no período seguinte, até 2016, aumentou 122%. O ano de 2016 foi o recorde da série histórica.

Além disso, todas as regiões do estado tiveram aumentos substanciais nos roubos a transeuntes no período analisado. No interior, o aumento foi de 156%; na capital, de 50%; em Niterói, de 156%; e na Baixada o aumento foi de 240%.

roubo de cargas aumentou 403% no estado entre 2006 e 2016. Na Baixada, esse aumento foi de 1.010%. Apesar de evoluir para padrões de distribuição espacial cada vez mais concentrados na Baixada e na capital, o roubo de cargas explode na década, demonstrando a dificuldade do poder público de lidar com este fenômeno.

Dessa forma, o levantamento evidencia que o movimento de queda e posterior crescimento dos indicadores de segurança no estado ao longo da década, atrelados ao espalhamento da criminalidade, são graves. Para solucionar o problema atual da segurança pública é necessário congregar esforços em diversas áreas, dentre as quais as próprias instituições de segurança. É preciso, portanto, identificar as falhas estratégicas dos últimos anos para corrigi-las. E um dos aspectos essenciais desse processo é observar a distribuição do efetivo policial, identificando se houve negligência com relação ao policiamento das regiões interioranas e da Baixada Fluminense. Da mesma forma, é preciso compreender como o orçamento financeiro da área foi investido, se apenas na contratação de pessoal, ou se houve investimento no fortalecimento de áreas de inteligência e prevenção ao crime.

A íntegra da pesquisa está disponível no site.