Pesquisadores do IBRE avaliam conjuntura econômica em ambiente de incerteza política
Economia
19 Junho 2017

Pesquisadores do IBRE avaliam conjuntura econômica em ambiente de incerteza política

“O crescimento do PIB no primeiro trimestre foi muito elevado (1%), algo que a gente não experimentava há muito tempo, mas esse crescimento foi concentrado em alguns poucos setores, em especial a agropecuária. Pelo lado da demanda, por sua vez, foi muito mais por conta da demanda externa, pois a demanda interna continuou a cair", destacou Régis Bonelli, coordenador do Boletim Macro do IBRE.

O Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da FGV realizou, no dia 12 de junho, o segundo Seminário de Análise Conjuntural de 2017. O evento, realizado no Centro Cultural da FGV, reuniu pesquisadores do IBRE para debater o cenário econômico brasileiro em meio a um ambiente de incerteza, causada pelo agravamento da crise política no último mês.

Coordenador do Boletim Macro e organizador do seminário, Regis Bonelli fez uma introdução aos temas debatidos justamente falando sobre o ambiente político. Ele destacou que apesar da forte reação nos dias que se seguiram ao agravamento da crise, os mercados tornaram-se mais “bem comportados”, uma sinalização de que a área macro não está à deriva e que as reformas econômicas serão votadas.

“O crescimento do PIB no primeiro trimestre foi muito elevado (1%), algo que a gente não experimentava há muito tempo, mas esse crescimento foi concentrado em alguns poucos setores, em especial a agropecuária. Pelo lado da demanda, por sua vez, foi muito mais por conta da demanda externa, pois a demanda interna continuou a cair. O pano de fundo para o futuro próximo não é totalmente desanimador. Inflação em queda, taxa SELIC também. O setor externo com bom desempenho. O desemprego ainda está alto, mas a massa salarial apresenta uma modesta expansão. O que preocupa é o quadro fiscal e os riscos associados a ele”, destacou.

Na sequência, José Julio Senna falou sobre a política monetária nos EUA e no Brasil. Ele observou que a economia mundial não apresenta comportamento exuberante, mas com bons sinais de recuperação. Essa nova fase, segundo ele, é caracterizada pelo sincronismo das taxas de crescimento dos EUA, Europa e Japão, o que é bom para o Brasil. O economista destacou que a atual crise política impactou no ajuste fiscal brasileiro e que será ainda mais difícil aprovar as reformas que a equipe econômica propõe. Sobre a inflação, ele disse que a queda das taxas é fruto não só do trabalho da equipe de política monetária, mas também da conjuntura econômica mundial atual.

Aloisio Campelo, por sua vez, falou sobre os indicadores qualitativos sobre confiança empresarial e dos consumidores. Ele destacou que esses índices vinham apresentando alta moderada desde o início do ano, mas que a crise política pode afetar essa tendência de crescimento. Ele explicou que as expectativas futuras, tanto para empresas quanto para consumidores, estão bem mais elevadas do que a percepção sobre a situação atual.

O assunto abordado em seguida foi a inflação. Salomão Quadros apresentou a variação da taxa no último ano e que chegou ao patamar mais baixo no mês de maio, atingindo 3,18%. Ele destacou que além dos alimentos, contribuíram para a queda da inflação os bens de consumo, que apresentaram comportamento mais favorável do que o previsto. O economista explicou ainda que a entrada em vigor da bandeira verde nas tarifas de energia pode levar o IPCA a taxa negativa ao final do mês. Sua previsão é que a inflação feche 2017 na casa dos 3,4%.

Silvia Matos, por fim, fez as projeções macroeconômicas. Ela destacou que as expectativas têm sido frustradas a partir de março, sem muita clareza sobre a força da recuperação da economia brasileira. Os sinais, segundo ela, são de que o PIB do segundo trimestre volte a ser negativo. A pesquisadora também explicou que a crise política vai impactar no crescimento de longo prazo, com a recuperação da economia apresentando taxas mais modestas do que o previsto anteriormente. Ao término de sua apresentação, a economista destacou que a rearticulação do sistema político será fundamental para a aprovação da reforma da Previdência, na qual está projetada grande parte da recuperação econômica do país.

Após as exposições, o seminário foi aberto para comentários. Manoel Pires destacou que sua perspectiva era de que 2017 representaria um ano de transição para a estabilização e retomada econômica, mas que a crise política pode afetar essa previsão. Já Samuel Pessôa falou sobre as péssimas condições fiscais da economia brasileira e que é preciso dar sequência ao trabalho realizado pela equipe econômica, de modo a não comprometer o futuro.

O próximo Seminário de Análise Conjuntural do IBRE será realizado no dia 11 de setembro.