Análise do mercado de trabalho formal em 2023

No mês de dezembro de 2023, o Brasil registrou destruição líquida (desligamentos acima de admissões) de 430.159 postos formais de trabalho, considerando 1.502.563 admissões e 1.932.722 desligamentos.

Economia
01/03/2024
Janaína Feijó

Contratações líquidas formais se retraíram 26,3% em 2023, com redução de saldos em todos os setores. Já as admissões líquidas dos trabalhadores temporários quadruplicaram, com expansão de vínculos não permanentes nos Serviços.

No mês de dezembro de 2023, o Brasil registrou destruição líquida (desligamentos acima de admissões) de 430.159 postos formais de trabalho, considerando 1.502.563 admissões e 1.932.722 desligamentos.

Essa destruição líquida foi 5,6% menor do que a registrada no mesmo mês do ano passado (em 2022 tinham sido destruídos 455.715 postos[1]), conforme mostra o Gráfico 1.  No acumulado do ano de 2023, o saldo foi positivo: 1.483.598 empregos formais, sendo 23.257.812 admissões e 21.774.214 demissões. Contudo, esse valor representa uma queda de 26,3% em relação ao acumulado do ano de 2022, quando foi gerado um saldo de 2.013.261 postos formais de trabalho.

Gráfico 1 - Admissões, demissões e saldos – dez/2022 a dez/2023 - Brasil

Fonte: Elaboração dos autores com base nos microdados do Novo CAGED. Dados com ajustes declarados até dezembro de 2023.

No ano de 2023 o setor de Serviços foi o que mais se destacou, com o saldo de 886.256 postos formais de trabalho gerados, seguido pelo Comércio, com 276.528 vagas criadas. Esses dois setores, embora tenham permanecido com as maiores participações relativas, registraram saldos menores do que no ano anterior, pois em 2022 obtiveram saldos de 1.155.370 e 352.792, respectivamente. Portanto, os saldos dos setores de Serviços e Comércio caíram 23,3% e 21,6% em 2023, quando comparado com 2022. Verifica-se que embora o número de admissões tenha sido maior do que no ano anterior, o número de desligamentos também foi maior, ocasionando um saldo menor frente a 2022.

Vale ressaltar que entre os anos de 2022 e 2023, o saldo da Indústria caiu de 248.619 para 127.145 vagas criadas e da Agropecuária reduziu de 63.757 para 34.762. Ou seja, todos setores apresentaram queda, mas a retração do saldo foi mais intensa na Indústria (-48,9%) e na Agropecuária (-45,5%), conforme mostra a Tabela 1. Analisando apenas o último mês (dez/23), todos os cinco setores de atividades econômicas registraram saldos negativos (demissões maiores que admissões): Serviços (-181.909 postos); Indústria (-111.006 postos); Construção (-75.631 postos); Agropecuária (-53.660 postos) e Comércio (-7.949 postos).

Tabela 1 - Admissões, demissões e saldos (acumulado de jan  a dez) por setor de atividade. Brasil

Fonte: Elaboração dos autores com base nos microdados do Novo CAGED. Dados com ajustes declarados até dezembro de 2023.

O Gráfico 2 apresenta a composição do saldo acumulado por categoria de vínculo[2] e tem como objetivo analisar a evolução dos trabalhadores considerados não típicos. Ou seja, aqueles que possuem vínculos com condições e jornadas distintas da usual, tais como aprendizes, intermitentes e temporários. Observa-se que o saldo acumulado de janeiro a dezembro de 2023 da categoria “Geral” reduziu 30,1% quando comparado com o mesmo período do ano anterior, passando de 1.883.123 para 1.316.131 postos gerados.

Também se observa que as categorias “Aprendiz”, “Intermitente” e “Temporário”, conjuntamente, elevaram sua participação, pois em 2022 representavam 6% do salto agregado e em 2023 passaram a ser responsáveis por 11%. O aumento dessa participação não decorreu somente da expansão do saldo de trabalhadores com vínculos dessa natureza, mas da queda do saldo da categoria “Geral” (-30,1%).

Fonte: Elaboração dos autores com base nos microdados do Novo CAGED. Dados com ajustes declarados até dezembro de 2023. Na categoria “Geral” estão os Gerais contratados por CLT (inclusive o empregado público da administração direta ou indireta), rural, com contrato de trabalho verde e amarelo ou firmado nos termos da 9.601/1998. Os trabalhadores gerais contratados por CLT formam quase totalidade dessa categoria (97%).

Além disso, o saldo dos trabalhadores temporários aumentou de 6.307 em 2022 para 26.412, em 2023, registrando o crescimento mais expressivo (318,8%) dentre as categorias analisadas. Os vínculos “Aprendiz” (33,5%) e “Intermitente” (4,4%) também apresentaram crescimento positivo, mas em menores magnitudes, conforme mostra o Gráfico 2.

Desagregando por categoria e setor de atividade, verifica-se que em todos os setores o saldo foi composto majoritariamente por trabalhadores com vínculo Geral e em 2023 a participação dessa categoria diminuiu quando comparada à de 2022, conforme mostra a Tabela 2.

O texto completo pode ser acessado no Observatório da Produtividade Regis Bonelli.

Este artigo foi publicado originalmente no Blog do IBRE em 21 de fevereiro de 2024.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do(s) autor(es), não refletindo necessariamente a posição institucional da FGV.

Autor(es)

  • Janaína Feijó

    Pesquisadora da área de Economia Aplicada do FGV IBRE. Atualmente desenvolve pesquisas na área de mercado de trabalho, educação e desigualdades sociais. Doutora em Economia pela Universidade Federal do Ceará (CAEN UFC), mestre em Economia pela Universidade Federal do Ceará (CAEN-UFC) e bacharel em Ciências Econômicas (UFC).

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