Dia do Contabilista e as mudanças requeridas na Contabilidade Moderna

O avanço tecnológico e a digitalização dos negócios exigem uma revisão das normas contábeis tradicionais, que muitas vezes não acompanham a velocidade da inovação.

Economia
25/04/2024
André Aroldo Freitas de Moura

A era digital trouxe consigo uma série de desafios e oportunidades para a contabilidade, especialmente na maneira como tratamos ativos intangíveis e gastos com pesquisa e desenvolvimento (P&D). A comemoração do Dia do Contabilista é um momento propício para refletirmos sobre essas questões, destacando o papel vital que os contabilistas desempenham na adaptação das práticas contábeis aos novos modelos de negócio.

O avanço tecnológico e a digitalização dos negócios exigem uma revisão das normas contábeis tradicionais, que muitas vezes não acompanham a velocidade da inovação. Como um exemplo, ativos intangíveis, como patentes, softwares e marcas, tornaram-se componentes cruciais do valor das empresas, superando em muitos casos os ativos tangíveis. No entanto, o reconhecimento contábil desses ativos ainda enfrenta grandes desafios. Os gastos com P&D são vitais para a sustentabilidade e crescimento de empresas, especialmente na nova economia digital.

Tradicionalmente, muitos desses gastos são registrados como despesas no momento em que ocorrem e só podem ser ativados quando os projetos estão mais avançados, o que pode distorcer a situação financeira de uma empresa que investe pesadamente em inovação. A capitalização desses gastos, tratando-os como investimentos ao invés de despesas, poderia refletir melhor o valor real e o potencial de longo prazo desses investimentos. A questão central é como avaliar adequadamente esses ativos, dado que se ativados antes de ser provável que benefícios futuros irão fluir para a entidade, abriria oportunidade para fraudes, mas caso contrário a contabilidade pode distanciar cada vez mais sua capacidade informacional para diversos stakeholders.

Esse ajuste não é apenas uma questão de normas contábeis, mas também uma necessidade estratégica das empresas. Contabilistas modernos, portanto, precisam cada vez mais ter compreensão profunda das dinâmicas de negócios digitais para interpretar corretamente os dados financeiros em um ambiente tão dinâmico.

A governança corporativa e a transparência também são afetadas por essas mudanças. À medida que as empresas se tornam mais dependentes de ativos intangíveis, a necessidade de relatórios financeiros claros e precisos torna-se ainda mais crítica. Os stakeholders, incluindo investidores, reguladores e o público em geral, requerem uma maior divulgação sobre como os ativos intangíveis são avaliados e como os investimentos em P&D são tratados.

Portanto, o Dia do Contabilista é uma oportunidade para celebrar os avanços da profissão e refletir sobre as adaptações necessárias para enfrentar os desafios da contabilidade na nova era digital. Com a continuidade das inovações tecnológicas, os contabilistas têm a responsabilidade não apenas de acompanhar, mas de liderar as mudanças nas práticas contábeis para garantir a integridade e a relevância das informações financeiras.

Curiosidades sobre as datas:

Vale ressaltar que existem duas datas de comemoração, o Dia do Contabilista e o Dia do Contador. Embora ambas as datas celebrem profissionais ligados à área da contabilidade, há uma diferença sutil entre elas:

Dia do Contabilista (25 de abril): Esta data é voltada para todos os profissionais que trabalham na área da contabilidade, incluindo não apenas os contadores formados, mas também técnicos em contabilidade, assistentes contábeis, entre outros.

Dia do Contador (22 de setembro): Esta data é mais específica e focada nos contadores formados, ou seja, naqueles que concluíram o curso superior de Ciências Contábeis e estão registrados nos órgãos competentes para exercer a profissão.

Em resumo, enquanto o Dia do Contabilista abrange todos os profissionais que atuam na contabilidade, o Dia do Contador é mais direcionado aos contadores graduados e registrados.


*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do(s) autor(es), não refletindo necessariamente a posição institucional da FGV.

Autor(es)

  • André Aroldo Freitas de Moura

    Pesquisador do FGVCef trabalhando com o Valor 1000. Consultor de Equity Valuation da Sarpen Quant Investments, ASIF Capital, companhias e investidores privados. Conselheiro fiscal da Fundação Butantã e da Associação de Conselheiros do Brasil. Conselheiro e co-founder de algumas startups. Ex RI da M.Dias Branco SA. PhD em Contabilidade e Finanças pela University of Birmingham (UK). Mestre em Administração e Controladoria pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Formado em Ciências Contábeis pela UFC (Magna Cum Laude) e em Tecnologia e Segurança da Informação pela Universidade Católica de Brasília (UCB).

     

     

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