ETFs – Exchange Traded Funds

ETFs são fundos de investimentos negociados em bolsa e que em geral são passivos em relação a algum índice de mercado.

Economia
26/09/2022
William Eid Junior

Fundos de Investimentos têm sido uma alternativa extremamente vantajosa para investidores em todo o mundo há décadas. Oferecem diversificação, profissionalismo, baixo risco e custos muito competitivos. Até por isso que temos hoje mais de USD 60 trilhões em ativos sob gestão nessa classe de investimentos, com crescimento previsto de 10% ao ano até 2027.

Mas com todo este sucesso, há uma discussão também de décadas por trás da gestão dos fundos de investimentos: há valor na gestão ativa desses fundos? Em outras palavras, é possível bater o mercado de forma consistente? Se é fácil observar que alguns gestores têm o toque de Midas, para a maioria dos fundos de investimentos os ganhos da gestão ativa são pequenos, quando existentes. Isto tem a ver com a chamada eficiência informacional dos mercados. Se toda a informação está refletida nos preços, não há como bater o mercado. Claro, há mercados mais ou menos eficientes, mas para a maioria dos investidores o resultado é pró eficiência.

Aí surgem os ETFs, que estão um degrau acima dos fundos de investimentos. ETFs são fundos de investimentos negociados em bolsa e que em geral são passivos em relação a algum índice de mercado. Então eles têm as vantagens dos fundos de investimentos, afinal são também fundos de investimentos, com custos menores já que são passivos. Em outros países, onde a divulgação de cotas dos fundos não é feita numa base diária, os ETFs também oferecem maior transparência. Não é o caso no Brasil onde os fundos divulgam o valor das suas cotas diariamente.

Além dos custos e transparência, os ETFs englobam outra vantagem, esta referente à construção de portfólios. Oferecem acesso a um sem-número de estratégias que de outra forma não estariam facilmente acessíveis.

Estas vantagens têm levado os ativos sob gestão dos ETFs a um crescimento exponencial. O gráfico a seguir mostra o volume total de crescimento do AUM dos ETFs de 1 em 1 trilhão de dólares. Observamos que o crescimento de 1 para 2 trilhões levou mais de 3 anos. Agora, o crescimento de 9 para 10 trilhões foi em 6 meses. E os ETFs já representam 1/6 da indústria global de fundos de investimento.

Fonte: Informa Financial Intelligence

Por exemplo, você quer participar do crescimento tecnológico atual? Há ETFs que investem em empresas relacionadas à blockchain. Outros que investem em empresas que produzem baterias de carros elétricos. Seu filho adora vídeo games? Que tal investir num ETF que tem empresas deste setor?

Ah, você acredita na teoria do Warren Buffet e procura empresas com um grande fosso de proteção? Há ETFs que investem nessas empresas.

Todos tem acompanhado a evolução da indústria de cannabis ao redor do mundo, com diversos medicamentos que combatem a dor, dentre outras funções. Há ETFs que investem nas empresas farmacêuticas voltadas para este segmento.

Energia renovável? Mas vamos além de solar e eólica? Que tal um ETF com uma carteira de empresas que buscam produzir de forma limpa e econômica este combustível.

Madeiras nobres? Comércio eletrônico? Mercados emergentes? Empresas maduras na Europa?

Mas você quer investir em coisas realmente diferentes e muito específicas?

Há ETFs voltados para as empresas que combatem a obesidade, outro voltado para empresas que combatem diabetes. Há um que aloca o peso das ações da carteira em função do sentimento em relação a elas expresso nas redes sociais.

Investir nas economias desenvolvidas, mas excluir uma como o Japão? Ok, há ETFs com essas características.

Já há ETFs geridos por inteligência artificial, através do sistema Watson da IBM. O sistema avalia as oportunidades de investimentos, sem os vieses humanos que por vezes podem prejudicar o desempenho do investimento. É cedo para dar um veredicto sobre este ETF, mas o Watson tem sido usado em diversas áreas com muito sucesso nos últimos anos, com destaque para a medicina.

O resumo é que se você tem uma tese de investimentos, por exemplo, tecnologia, os ETFs podem ajudá-lo a concretizar esta tese. Eles são hoje fundamentais em qualquer estratégia de construção de portfólios, seja você um seguidor de teorias de carteira como as do Nobel Harry Markowitz, ou um seguidor da mais moderna investimentos por objetivos. Em qualquer uma delas os ETFs têm papel fundamental.

Mas você deve estar perguntando: eu posso investir em ETFs no Brasil? A resposta é sim! Temos dezenas deles listados na B3, tanto de renda fixa como de renda variável.

Há ETFs baseados no Ibovespa, IBrX 100, no índice de Small Caps, no S&P 500 e sim, você pode investir na principal bolsa americana a partir da B3, IDIV que é o índice de empresas que pagam os melhores dividendos da B3, IMAB que é um índice de renda fixa e muito mais. Aqui também observamos um crescimento grande da indústria, como apresentado na tabela a seguir:

Fonte: Tevas Índices

No final do 1º semestre de 2022 os ETFs atingem quase 1 milhão de cotistas. Um enorme feito considerando que a indústria de fundos no Brasil tem algo em torno de 24 milhões de cotistas.

Quais são os custos de investir num ETF no Brasil?  Há a corretagem cobrada pelo intermediário, a custódia, taxas e emolumentos da B3 e claro, a taxa de administração do ETF.

E temos, claro, a tributação. Que funciona como na renda variável, 15% de Imposto de Renda sobre os rendimentos, quando estes forem realizados. Esta alíquota vale tanto para os ETFs de renda variável como os de renda fixa, já que todas as carteiras desses últimos na B3 têm prazo médio maior que 2 anos. A exceção são os ETFs de fundos imobiliários, que pagam 20% de Imposto de Renda sobre o rendimento.   

Enfim, temos uma classe de ativos bastante apropriada para as mais diferentes estratégias de investimentos e de montagem de portfólios. Cabe lembrar que como a maioria dos ETFs são de renda variável, são adequados para investimentos de longo prazo.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do(s) autor(es), não refletindo necessariamente a posição institucional da FGV.

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Autor(es)

  • William Eid Junior

    Diretor do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGVcef). Profissional formado nos cursos de graduação (1980), mestrado (1991) e doutorado (1995) em Administração de Empresas da Fundação Getulio Vargas de São Paulo-SP. Atualmente, é sócio fundador da Sociedade Brasileira de Finanças, coordenador do Centro de Estudos em Finanças (FGVcef) da FGV EAESP e professor titular da Fundação Getulio Vargas de SP. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração Financeira, atuando principalmente nos seguintes temas: séries temporais, previsões, análise financeira e inflação.

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