Investimento no exterior ainda vale a pena?

O investimento no exterior oferece a oportunidade de acessar mercados diferentes, setores em crescimento e empresas inovadoras que podem não estar disponíveis no mercado interno. Isso permite aos investidores diversificar seus riscos e potencialmente obter retornos mais elevados.

Economia
01/06/2023
Joelson Sampaio

Nos últimos anos, tem havido um crescente interesse e debate em torno do investimento no exterior. Com o mundo cada vez mais conectado e globalizado, os investidores têm a oportunidade de diversificar suas carteiras além das fronteiras nacionais, ou seja, conseguem diversificar internacionalmente. No entanto, surge a questão: o investimento no exterior vale a pena?

Antes de responder a essa pergunta, é importante considerar alguns aspectos-chave. Primeiramente, o investimento no exterior oferece a oportunidade de acessar mercados diferentes, setores em crescimento e empresas inovadoras que podem não estar disponíveis no mercado interno. Isso permite aos investidores diversificar seus riscos e potencialmente obter retornos mais elevados. A diversificação internacional pode trazer diversos benefícios aos investidores.

Além disso, investir no exterior também pode ser uma forma de proteger-se contra a volatilidade e os riscos associados à conjuntura econômica do Brasil. A diversificação geográfica, por exemplo, pode reduzir a exposição a eventos econômicos ou políticos específicos de um país e proporcionar um portfólio mais equilibrado.

Outro fator a considerar é a disponibilidade de veículos de investimento no exterior, como fundos mútuos, ETFs (Exchange Traded Funds) e ADRs (American Depositary Receipts). Esses instrumentos facilitam o acesso aos mercados internacionais e permitem que os investidores se beneficiem das oportunidades globais de forma mais conveniente.

No entanto, é importante mencionar que investir no exterior também apresenta desafios e riscos. A volatilidade dos mercados estrangeiros, a flutuação das taxas de câmbio, principalmente em países emergentes como o Brasil, e as diferenças regulatórias podem afetar os retornos e a rentabilidade dos investimentos. Além disso, os investidores precisam estar cientes dos aspectos legais e fiscais envolvidos no investimento em outros países.

Em termos de estratégia de investimento, é fundamental realizar uma análise cuidadosa e uma pesquisa aprofundada sobre os mercados-alvo, empresas e setores antes de tomar uma decisão de investimento no exterior. A compreensão das condições econômicas, políticas e culturais dos países em questão é essencial para tomar decisões informadas. Além disso, ter conhecimento dos instrumentos e formas de investir em outros países é fundamental.

Dito isso, voltando à pergunta inicial: o investimento no exterior vale a pena? A resposta depende do perfil de cada investidor, de seus objetivos financeiros e de sua tolerância ao risco. Para alguns, a diversificação global e as oportunidades de crescimento oferecidas pelos mercados estrangeiros podem justificar o investimento no exterior. Para outros, a complexidade e os riscos envolvidos podem não compensar os potenciais benefícios. Para investidores que têm pouco tempo de acompanhar suas aplicações, esse tipo de investimento pode ser mais desafiador.

Em última análise, a decisão de investir no exterior deve ser cuidadosamente ponderada e baseada em uma análise aprofundada. Consultar profissionais financeiros especializados e avaliar os próprios objetivos e circunstâncias pessoais são passos importantes para determinar se o investimento no exterior é adequado e vale a pena.

Como em qualquer forma de investimento, o investimento no exterior envolve riscos e não há garantia de retornos positivos. A pesquisa, a diversificação internacional adequada e o monitoramento contínuo são elementos-chave para maximizar as oportunidades e gerenciar os riscos associados.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do(s) autor(es), não refletindo necessariamente a posição institucional da FGV.

Autor(es)

  • Joelson Sampaio

    Professor na Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EESP). Doutor em Teoria Econômica pela USP e em Finanças Corporativas e Mercados Financeiros pela FGV EESP, com período sanduíche na Universidade do Colorado. Pós-doutor em economia pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP). Research Assistent at Kellogg Business School. Tem experiência na área de Finanças e Economia, com ênfase em finanças empresarias (corporate finance), atuando principalmente nos seguintes temas: venture capital e private equity, mercado de capitais e governança corporativa. 

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