NFT e o mercado musical: especulação ou investimento seguro?

Essa nova forma de captação do mercado vem mostrando seu apetite atingindo a marca de US$ 17,6 bilhões de volume negociado globalmente em agosto de 2021.

Administração
23/06/2022
Carlos Antônio da Costa Fernandes

Se você ainda não conhece ou não ouviu falar em NFT está na hora de remar para esse tema que vem atraindo para uma mesma onda, negócios e arte de uma maneira indivisível. Literalmente.

 O NFT , é um token não fungível, ou divisível,  uma unidade única de dados, armazenado em blockchain que, diferentemente de uma criptomoeda (como bitcoin), não pode ser substituído por outro de mesma espécie, qualidade, quantidade e valor. Isso significa que NFTs podem ser usados para representar ativos, contendo informações sobre sua origem, originalidade e titularidade registradas em blockchain. Tais características favorecem a adoção e uso de NFTs na venda de arte digital e colecionáveis, em princípio. Clareza e rastreabilidade estão no DNA desse tipo de negócio.

Essa nova forma de captação do mercado vem mostrando seu apetite atingindo a marca de US$ 17,6 bilhões de volume negociado globalmente em agosto de 2021. Em janeiro desse ano foi anunciado que a Warner Chappel adquiriu o catálogo de David Bowie por cerca de US$ 250 milhões. Em Março, a Hipgnosis anunciou a aquisição dos direitos de todas as 278 músicas do lendário compositor canadense Leonard Cohen. Em Maio foi a vez da compra de 100% de todos os direitos autorais, propriedade, na performance pública e do catálogo de composições musicais escritas por Justin Timberlake. Atualmente, as vendas de Justin Timberlake ultrapassam os 150 milhões, incluindo 88 milhões como artista solo e 70 milhões com o NSYNC.    

Em 2021, um NFT  do primeiro tweet arrecadou impressionantes US$ 2,9 milhões. No entanto, agora, esse mesmo ativo digital atraiu um lance de apenas US$ 14.000 em leilão. Após um pico de 225 mil transações diárias registradas em setembro de 2021, houve uma queda de 92% chegando à média diária de 19 mil transações em NFTs em maio, segundo o relatório divulgado mês passado pelo site especializado Nonfungible. Especialistas ao analisarem essa queda se dividem entre uma possível crise do formato ou um momento de reestruturação do mercado. Pode-se observar que a queda ocorreu em obras que não tenham um lastro de retorno de ativos.  

Apesar de não termos alcançado ainda exemplos de números tão expressivos em NFTs quanto o mercado externo, a música brasileira tem, sem dúvida, um potencial valioso de oportunidades de investimentos. Vale lembrar alguns números relativos como o caso de “ Garota de Ipanema” de Tom Jobim e Vinícius de Moraes que teve 240 vezes regravações e continua sendo uma das músicas com maior número de execuções em todo mundo. O DVD  “Ivete Sangalo ao vivo no Maracanã” lançado em 2007 foi o de maior venda da sua gravadora Universal, mundialmente, batendo com folga o segundo lugar que era da banda irlandesa U2. Ao longo do período de pandemia o Brasil sustentou recordes de participação em Lives de inúmeros artistas no YouTube.

A música representa hoje um negócio que movimenta um pouco mais de U$90 bilhões no mundo. Em Março a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) colocou o Brasil como o 11º maior mercado fonográfico mundial, atingindo R$ 2,1 bilhões de faturamento em 2021, um crescimento de 32% em relação ao ano anterior. Esse crescimento, em plena pandemia,  foi puxado pelo aumento das receitas do streaming, chegando a R$ 1,8 bilhão, e hoje representam 85,6% de todas as receitas do setor.  

Temos um mercado interno auto-suficiente. 85% da distribuição de direitos de execução pública no país é de música nacional, o brasileiro ouve e consome preferencialmente a música regional.

O autor é a origem do insumo imaterial desse negócio que movimenta diversos outros setores estruturais da economia. Além dos players tradicionais da indústria musical existem milhões de profissionais e setores atrelados a esse bem abstrato que é a música. Numa ciranda que envolve todo o sistema de comunicação, do turismo, irradiando para o comércio local, até o pequeno negociante informal. A propriedade intelectual vem proteger e garantir a existência de toda esse ecossistema financeiro. Trata-se não apenas de cultura e arte, mas de negócios.

Ao contrário dos sistemas de “crowdfunding” em que os artistas ofereciam a seus seguidores retornos como um violão autografado a comercialização de tokens abre a possibilidade societária para fãs ou “token holders” na produção de um show, ou na performance financeira de uma música numa plataforma de distribuição, por exemplo.

A música vem se tornando um atraente ativo para investidores. Temos comprovado esse movimento pelo crescente número de profissionais de diversas outras áreas, de todo país, que vem participando da nossa formação executiva em Music Business oferecida em formato live nos cursos de curta e média duração da FGV. O país precisa urgentemente de executivos nesse setor e a FGV pioneiramente está oferecendo essa certificação. Afinal, música sem gestão é apenas diversão.

* Você pode acessar a  webinar “NFT, a música no mercado financeiro” pelo link.

 

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do(s) autor(es), não refletindo necessariamente a posição institucional da FGV.

Autor(es)

  • Carlos Antônio da Costa Fernandes

    Coordenador e professor de Formação Executiva em Music Business da FGV Educação Executiva. Professor e coordenador com 28 anos de experiência no ensino superior. Publicitário, produtor musical, compositor e arranjador da Speedball Produções Musicais, produtora especializada em  trilha sonora para publicidade, jingles, spots, vinhetas e sonorização em geral. Com 28 anos de experiência no ensino superior é autor do livro “Fazendo música para publicidade (O fonograma publicitário).

     

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