Private Equity, Venture Capital e Investimentos em Startups: oportunidades e desafios

O único caminho viável para um crescimento vigoroso e sustentável é termos profissionais altamente capacitados por meio de uma sólida, completa e aprofundada formação teórica e prática, de forma a poderem atuar com excelência, direta ou indiretamente, na indústria de Private Equity, Venture Capital e Investimentos em Startups

Institucional
18/02/2020
Caio Ramalho

O Brasil possui novamente uma grande janela de oportunidades. Juros baixos, agenda prioritária de concessões e privatizações, aprovação de reforma da previdência e perspectiva de reformas administrativa e tributária que, apenas para citar alguns fatores, traçam um cenário positivo para uma retomada vigorosa da economia.

De fato, o país reúne condições favoráveis a investidores, nacionais e internacionais, que buscam diversificar seus portfólios por meio de ativos alternativos, tais como investimentos em startups, venture capital e private equity, que proveem capital para diversos negócios, de nascentes inovadoras de alto impacto a grandes projetos tradicionais de infraestrutura.

Ao analisarmos o mercado de Private Equity, Venture Capital e Investimentos em Startups, podemos comparar o momento atual com aquele que antecedeu 2004 a 2008. Neste período, houve um salto significativo no tamanho dessa indústria no Brasil. Só que agora, a perspectiva é de um crescimento ainda maior e, principalmente, mais rápido. O risco, entretanto, é estarmos diante de uma demanda que não consigamos suprir.  A exemplo daquele período, novamente existe um gargalo-chave no crescimento dessa indústria: a escassez de capital humano.

Entre 2004 e 2008, houve um expressivo fluxo de capitais de fundos de pensão direcionado para esta indústria, especialmente para o segmento de private equity, impulsionado pela redução das taxas de juros e pelo crescimento da economia.  Dezenas de novos fundos foram captados e várias novas gestoras sugiram no país. Entretanto, a indústria não dispunha de profissionais qualificados em escala e velocidade suficientes para acompanhar o salto desse mercado. Houve, então, um “apagão” de mão de obra de gestores.

Desta vez, a perspectiva é ainda mais intensa, e não apenas do lado dos gestores, mas também pelo lado dos investidores, levando potencialmente a um “duplo apagão” de mão de obra na indústria nos próximos anos. Estamos falando de family offices, wealth managers, grandes corporações, fundos de pensão federais, estaduais e municipais, fundos patrimoniais, bancos e agências de fomento, e agências governamentais nos diferentes níveis da administração. São centenas, possivelmente milhares de organizações. Esses investidores precisarão de pessoal qualificado, que compreenda esta classe de ativos e que saiba onde e como alocar seus recursos de acordo com seus interesses e características. E não apenas os analistas, mas também, e principalmente, conselheiros e diretores, que, em última análise, tomam as decisões. Na outra ponta, os gestores de private equity e venture capital - assim como os investidores anjos, consultores, advogados, administradores de recursos e demais profissionais que atuem nesta indústria - precisarão ser eficientes e estar altamente capacitados para identificar e aproveitar as oportunidades que surgirão com a expansão desta indústria.

Dessa forma, o único caminho viável para um crescimento vigoroso e sustentável é termos profissionais altamente capacitados por meio de uma sólida, completa e aprofundada formação teórica e prática, de forma a poderem atuar com excelência, direta ou indiretamente, na indústria de Private Equity, Venture Capital e Investimentos em Startups. Isto ainda não existe no volume que o Brasil precisa. O desafio está posto.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do(s) autor(es), não refletindo necessariamente a posição institucional da FGV.

Autor(es)

  • Caio Ramalho

    Coordenador do MBA em Private Equity, Venture Capital e Investimento em Startups da FGV. Mais de 20 anos de experiência em Investimentos e Análise de Negócios, com atuações em Private Equity, Asset Management, Banco de Investimentos e Consultoria. Fundador e coordenador do FGVnest – Núcleo de Estudos em Startups, Inovação, Venture Capital e Private Equity da FGV. Professor de disciplinas em Private Equity, Venture Capital e Investimento em Startups em diversos cursos de pós-graduação e MBAs. Coordenador da pós-graduação Direito para Startups e Empreendedores da FGV Direito Rio e da pós-graduação Lawtechs: Programação para Advogados e Empreendedores da FGV Direito Rio. Organizador e coautor de dois livros sobre a indústria de Private Equity e Venture Capital no Brasil. Co-líder do Núcleo RJ da Anjos do Brasil. Membro do Comitê de Startups e Scale-ups do IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Mentor de Startups e Empreendedores em diversos programas públicos e privados.

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