Como tecnologias emergentes estão impactando e vão impactar os negócios? O que devo fazer em minha empresa?

A disponibilidade e o acesso das empresas às novas tecnologias digitais, demandam a inovação e a transformação dos modelos de negócios, abrindo espaço para o surgimento de novas e surpreendentes abordagens.

Administração
07/12/2023
Alberto Luiz Albertin
Rosa Maria de Moura Albertin

A digitalização já é uma realidade consolidada, ou seja, o uso das tecnologias digitais faz parte do nosso cotidiano às vezes de forma evidente, outras vezes de maneira sutil. Neste ambiente, as empresas podem e devem considerar o uso intensivo de tecnologias digitais para inovar, transformar e gerar valor para a sociedade e para os negócios[1].

O uso de tecnologia de informação para melhorar os processos de negócios, ganhar eficiência com redução de custo e aumento de produtividade, além de aumentar a flexibilidade e a qualidade, é importante e continua sendo um dos focos dos executivos de tecnologia e de negócios. Mas isso já não é mais suficiente.

Novas tecnologias estão chegando, agora denominadas tecnologias digitais pelas suas características de integração e convergência, uso intensivo de dados e capacidade de adaptação e múltiplos usos. Os exemplos estão cada vez mais conhecidos, novos termos são incorporados em nossas conversas e leituras, como inteligência artificial generativa, com os chats disponíveis e fáceis de usar, blockchain, com as moedas e ativos digitais, entre outros. Novas tecnologias, como computação quântica, já estão no horizonte próximo, avançando de forma acelerada e sendo estudadas por muitas empresas.

A disponibilidade e o acesso das empresas às novas tecnologias digitais, demandam a inovação e a transformação dos modelos de negócios, abrindo espaço para o surgimento de novas e surpreendentes abordagens.

Com isso, as empresas podem inovar com novos produtos e serviços, processos, relacionamentos internos e externos, e proposta de valor diferentes e melhores do que faziam até agora. Isso permite que novos concorrentes surjam, inclusive e principalmente, novos participantes não tradicionais de vários setores.

Esta transformação não é tecnológica, mas de negócio, por isso é tão desafiadora para muitas empresas. Ela exige condições favoráveis que incluem cultura, recursos humanos e financeiros, estratégias e governança de negócios e digitais, entre outras[2]. Muitas empresas percebem a necessidade destas condições, mas nem todas ainda atingiram níveis adequados de transformação, conforme tem acompanhado o Observatório de Transformação Digital, do FGVcia da FGV EAESP[3].

Um dos principais desafios e complexidade está na essência desta inovação e transformação, pois ela exige pensar e criar algo diferente do que estamos acostumados a fazer, algo realmente e totalmente diferente. Não basta ganhar eficiência e ser mais rápido, mas na essência continuar oferecendo a mesma proposta de valor.

Os executivos e profissionais de negócio e de tecnologia precisam pensar no problema do negócio, seja ele uma oportunidade de negócio e de mercado, uma necessidade competitiva, ou mesmo um problema no conceito estrito que precisa ser resolvido. A identificação clara e bem desenhada do problema de negócio exige que se coloque o indivíduo como ponto central, seja ele direta ou indiretamente envolvido com este problema e sua solução.

A solução dos problemas de negócio baseada em tecnologias digitais não é mais de responsabilidade exclusiva das áreas de tecnologia de informação ou digitais. As áreas de negócio podem e devem liderar sua elaboração, muitas vezes sendo responsáveis pelo seu desenho, desenvolvimento e implementação, mas sempre em cooperação com as demais áreas, inclusive a de tecnologia de informação. As tecnologias oferecem possibilidade de desenvolvimento de soluções sem necessidade de seu conhecimento aprofundado; como Low Code e No Code, que permitem criar aplicativos sem conhecimento de programação.

Esta distribuição da liderança e responsabilidade pelas inovações e transformações digitais exige que os executivos e profissionais de negócio conheçam as tecnologias digitais num nível que permita entender o que é, para que servem, seu poder transformador e o valor que podem gerar. Este conhecimento, juntamente com outras competências, contribuiu para desenvolver a digital mind, entender e promover a aplicação de tecnologias digitais como parte da solução dos desafios das empresas. O mesmo se aplica aos executivos e profissionais de tecnologia de informação que devem conhecer o negócio e o mercado em que atuam.

O uso das tecnologias digitais para inovar e transformar os negócios é uma grande oportunidade de gerar valor para a sociedade e para os negócios. O valor, seja em sua definição ou entrega, depende do conhecimento e compreensão efetivos do contexto em que ocorre, da forma como as tecnologias serão aplicadas e das condições internas e externas que favoreçam a transformação digital[4].


[1]Albertin, A. L.; Albertin, R. M. M. (2021). Transformação Digital: Gerando Valor para o “Novo Futuro”. GVexecutivo, ISSN 1806-8979, vol. 20, n. 1, pp. 26-29, jan/mar 2021, disponível em https://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/gvexecutivo/article/view/....

[2]ALBERTIN, A.; CARVALHO, M. E.; OHZEKI, M. (2023) Condições para a Transformação Digital: uma Revisão Sistemática da Literatura. In: 7th Conference on Information Systems in Latin America (ISLA 2023). USA: California, Online. August 7-11, 2023. Disponível em https://aisel.aisnet.org/isla2023/6/.

[4]ALBERTIN, A. L.; ALBERTIN, R. M. M. (forthcoming) Dimensions of Digital Transformation: a framework for strategy, analysis and evaluation. International Journal of Business Innovation and Research. DOI: 10.1504/IJBIR.2023.10057838.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do(s) autor(es), não refletindo necessariamente a posição institucional da FGV.

Autor(es)

  • Alberto Luiz Albertin

    Atualmente é professor Titular da FGV EAESP, Coordenador do Centro de Tecnologia de Informação Aplicada (GVcia), do Programa de Excelência em Negócios na Era Digital (NED) da FGV EAESP, líder do grupo pesquisa Administração, Análise e TI do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Possui graduação em Administração de Empresas - Faculdades Associadas de São Paulo (1981), mestrado em Administração pela Universidade de São Paulo (1993) e doutorado em Administração pela Universidade de São Paulo (1998). Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Administração de Tecnologia de Informação, Planejamento, Diagnóstico Organizacional, Uso Estratégico de Tecnologia de Informação, Negócios na Era Digital e Gerenciamento de Projetos.

  • Rosa Maria de Moura Albertin

    Doutora em Administração de Empresas na linha de Administração, Análise e Tecnologia da Informação pela FGV EAESP. Pós-graduada em Administração pela FGV EAESP. Coordenadora Executiva do FGVcia. Consultora na área de Tecnologia de Informação, atuando na área de Transformação Digital, Negócios na Era Digital e Uso de Tecnologia de Informação para o Desempenho Empresarial, em empresas nacionais e multinacionais de vários setores. Autora de livros, estudos, publicações e pesquisas na área de sua especialização. Palestrante, conferencista e coordenadora de vários seminários, cursos e congressos na área de Tecnologia de Informação e Transformação Digital.

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