Empresas acreditam que mudanças vieram para ficar

A Indústria e as empresas prestadoras de serviços foram as que mais conseguiram se adaptar à nova situação (93,0% e 87,4%, na ordem), mas as empresas da construção e do comércio não ficam tão atrás (82,4% e 76,6%, respectivamente)

经济学
06/08/2020
Rodolpho Tobler
Viviane Seda Bittencourt

Desde o início da pandemia, as empresas têm encontrado, cada vez mais, necessidade de se reinventar para manter suas atividades. Em julho, foi aplicada a quinta edição dos quesitos suplementares relacionados à pandemia nas Sondagens Empresariais do FGV IBRE, para entender se houve adaptações realizadas pelas empresas no seu modo de operação, e se essas mudanças seriam incorporadas numa suposta volta à normalidade. As empresas do setor do comércio também responderam sobre o percentual de comércio eletrônico antes e depois das medidas de isolamento.

Os resultados finais da coleta realizada em julho mostram que, para mais de 85% das empresas consultadas, foi necessário se adaptar e mudar o modo de operação. A Indústria e as empresas prestadoras de serviços foram as que mais conseguiram se adaptar à nova situação (93,0% e 87,4%, na ordem), mas as empresas da construção e do comércio não ficam tão atrás (82,4% e 76,6%, respectivamente). Observando por segmentos, os destaques ficam por conta das indústrias de couros e calçados e de veículos automotores, segmentos bastante afetados pelas medidas restritivas, assim como, prestadores de serviços de informação e comunicação, vendas de móveis e eletrodomésticos, e obras de infraestrutura para engenharia elétrica e para telecomunicações, todos acima de 95%.

Alteração no modo de operação durante a pandemia (Dados em %)

Entre as mudanças realizadas, em todos os setores, a mais citada foi o home office em funções administrativas na empresa, atingindo 94,7% nas indústrias. As empresas prestadoras de serviços conseguiram se reinventar utilizando home office também nas atividades operacionais (31,2%). Já no comércio se destacou a criação de um novo canal de venda (57,5%), que também foi bastante citado pelas indústrias (30,7%). No setor da construção, outras alterações foram realizadas e especificadas na opção outros (35,9%): novos horários de funcionamento, escalas de funcionários e instalações e adoção de medidas de higiene. Lembrando que a opção de delivery e serviços em domicílio foi aplicado apenas nos setores de comércio e serviços.

Fonte: FGV IBRE

A maioria das empresas acredita que essas mudanças provocadas pela pandemia vieram para ficar: 50,8% das indústrias, 48,9% das empresas prestadoras de serviços, 45,9% no comércio e 38,4% na construção afirmam que as mudanças serão incorporadas parcialmente à rotina da empresa. Contudo, no setor da construção, um percentual elevado de empresas afirma que as mudanças serão passageiras e que irão retornar ao modelo anterior quando acabar a pandemia (37,4%), o que faz certo sentido, dado que muitas atividades da construção precisam ser realizadas presencialmente.


Fonte: FGV IBRE

Empresas do comércio aumentam vendas online

As empresas do comércio foram consultadas sobre o percentual de vendas online no período anterior e posterior à pandemia e em todos os segmentos, houve aumento no percentual de empresas que vendem mais de 20% online. Os maiores percentuais são observados nos segmentos de móveis e eletrodomésticos e tecidosvestuário e calçados (52,5% e 40,5% das empresas, respectivamente).

Os hiper e supermercados que tinham predominância de venda em lojas físicas, passaram a fazer delivery incluindo a venda por aplicativos. A necessidade de compra de bens considerados essenciais pelas pessoas junto com a restrição à circulação contribuiu para que esse segmento fosse menos afetado no comércio e por isso tivesse que se ajustar as novas condições rapidamente.


Fonte: FGV IBRE

Em todos os segmentos houve, pelo menos, redução de 10 pontos percentuais nas empresas que faziam somente vendas em lojas físicas. Esse resultado, porém, não é igual em todos os portes. Ainda existe muitas empresas de pequeno porte que não conseguem se adaptar a esse novo método de venda. Uma análise dos microdados, é possível perceber que mais de 1/3 das empresas de pequeno porte, não faziam venda online e continuam não fazendo durante a pandemia, enquanto nas empresas de grande porte esse número é de apenas 12,6%.


Fonte: FGV IBRE

A pandemia trouxe prejuízo em todos os segmentos e setores, mas contribuiu para uma aceleração de processos de automatização, de home office e aumento do comércio eletrônico. Para as empresas que já tinham esses processos em curso, o período trouxe uma oportunidade de sair na frente de outras empresas que ainda não estavam preparadas para essas mudanças.

O desafio, no entanto, foi ainda maior para as micro e pequenas empresas que diante de um cenário de restrição se viram diante da necessidade de se reinventar, incluir novas tecnologias no seu dia a dia, e algumas não conseguiram dado a impossibilidade de recursos para investir acabaram fechando as portas.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do(s) autor(es), não refletindo necessariamente a posição institucional da FGV.

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