FGV dá início a série de debates sobre os países Asiáticos

O objetivo dos eventos será ampliar o conhecimento acerca dessas economias menos conhecidas do continente, porém estratégicas; identificar vias de intercâmbio e fluxos culturais e econômicos; e fomentar parcerias entre empresas brasileiras e asiáticas
Relações Internacionais
24 二月 2021
FGV dá início a série de debates sobre os países Asiáticos

O Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da Fundação Getulio Vargas (FGV NPII) promoverá este ano uma série de debates sobre os países asiáticos do entorno da China, chamada Focus on Asia. A websérie, que contará com a participação de embaixadores, diplomatas e estudiosos da região, começa no dia 25 de fevereiro, com o embaixador da Indonésia, Edi Yusup. O objetivo dos eventos será ampliar o conhecimento acerca dessas economias menos conhecidas do continente, porém estratégicas; identificar vias de intercâmbio e fluxos culturais e econômicos; e fomentar parcerias entre empresas brasileiras e asiáticas.

“Essa região que faz o cerco da China é muito relevante porque o centro econômico mundial está se deslocando para lá. Infelizmente, o Brasil está de costas para essa área que será cada vez mais importante por ser um mercado de consumo fabuloso. O Brasil é competitivo não só em alimentos, mas em vestuário e em outros segmentos; tem plenas condições de abastecer essa região sem ferir interesses de outros parceiros comerciais”, analisa o professor Renato Flôres, diretor do NPII.

Para Flôres, a China, embora seja um parceiro fundamental para o Brasil, precisa ser vista dentro de um contexto asiático. “Não podemos ter uma estratégia apenas para a China, mas sim para a Ásia e aproveitar o enorme goodwill que temos com os países daquele continente. Esse novo posicionamento beneficiaria bastante nossas relações comerciais com a China. Conquistar maior presença na Ásia, além de nos tornar mais ricos, aumentaria nosso poder de barganha”, acrescenta.

Os contextos internacional e nacional estarão em pauta nos debates, à luz dos fatos recentes. As possíveis alterações na política externa norte-americana, a questão do retorno ou não do multilateralismo, as mudanças na Europa e na própria Ásia são alguns dos aspectos a serem considerados nas discussões. Um grande e inédito acordo comercial entre 15 países da região — com a criação do bloco denominado Regional Comprehensive Economic Partnership (RECEP) — reduzirá significativamente as tarifas entre eles, além de fortalecer as cadeias produtivas da região. É o primeiro acordo comercial a reunir China, Japão e Coreia do Sul, tema que também permeará as discussões nos webinários.

Para Flôres, é urgente abrir o diálogo e estreitar o relacionamento com os países asiáticos. “Temos que construir um canal sustentável e contínuo com eles, o que leva tempo, dada a necessidade de se estruturar, em função das peculiaridades culturais, laços de confiança sólidos, sem os quais não há êxito em qualquer empreendimento que se vislumbre na região”, afirma o diretor. Ele adverte ainda que o Brasil está atrasado nessa empreitada. “Nossos vizinhos da América do Sul, como Chile, Equador, Peru e Colômbia, estão se aproximando desse grande mercado, que não pode ser desprezado. O Brasil precisa começar logo a marcar sua presença local, sob pena de perder esse goodwill que possui.”

Entre os outros países a serem escolhidos para tema de webinários estão Malásia, Tailândia, Vietnã, Cingapura, Japão, Índia, Coreia do Sul, Paquistão, Austrália e Nova Zelândia. O NPII promoverá também, dentro da série de encontros, webinários temáticos nos quais serão discutidos: “A Ásia como mercado de consumo e de oportunidades para o Brasil”; “A guerra tecnológica entre a China e os EUA: impactos no Ocidente”; “100 dias do governo Biden – Relações entre o “novo EUA” e a Ásia não chinesa”; e “Os EUA, a China e as potências intermediárias, e o futuro das organizações internacionais”.

Para mais informações e inscrições acesse o site.

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