Panorama do Uso de TI no Brasil - 2022

Continuamos com mais de 1 smartphone por habitante. São 242 milhões de celulares inteligentes em uso no Brasil. Adicionando os Notebooks e os Tablets são 352 milhões de Dispositivos Portáteis ou 1,6 por habitante.

管理学
26/05/2022
Fernando S. Meirelles

Anualmente o FGVcia, divulga um amplo retrato do mercado de Tecnologia de Informação (TI), com resultados de estudos e pesquisas do uso de TI nas empresas. Uma amostra significativa de 2.650 médias e grandes empresas, retrata o cenário atual e as tendências desse ambiente, aqui resumidos.

O que mais chamou a atenção na edição de 2022 da Pesquisa foi a confirmação do valor da antecipação da adoção da TI nas empresas: anos de antecipação que ocorreram em meses. Os resultados medidos comprovam uma antecipação do processo de Transformação Digital e Uso da TI nas empresas de 1 a 4 anos.

Temos 447 milhões de Dispositivos Digitais (computador, notebook, tablet e smartphone) em uso no Brasil (corporativo e doméstico), ou seja, mais de 2 Dispositivos Digitais por habitante em junho de 2022. O smartphone domina a maioria dos usos, como nos bancos, compras e mídias sociais.

Continuamos com mais de 1 smartphone por habitante. São 242 milhões de celulares inteligentes em uso no Brasil. Adicionando os Notebooks e os Tablets são 352 milhões de Dispositivos Portáteis ou 1,6 por habitante. No Brasil vende-se 3 celulares por TV.

Vamos ultrapassar 216 milhões de computadores (desktop, notebook e tablet) em uso no Brasil no início de 2023, atingindo 1 computadores por habitantes (100% per capita). As vendas em 2021 tiveram um crescimento espantoso de 27% com 14 milhões de unidades. Trabalhar, estudar de forma híbrida ou blended continuará a aumentar o uso e a venda de dispositivos digitais? A tendência é que sim, em 2022 estima-se um crescimento perto de 10%.

Acreditamos que o isolamento, ensino e o trabalho a distância da Pandemia vão deixar marcas permanentes na forma com que transacionamos, vivemos e enxergamos a TI e deverá resultar em um modelo que combina o presencial com o remoto (blended e não híbrido) em uma solução que integra e potencializa as capacidades humanas com as digitais!

É notável que o uso e os gastos e investimentos em TI nas empresas de 8,7% da receita continuam crescendo, mais ainda em 2021 e 2022, em valor, maturidade e importância para os negócios existentes e para viabilizar novos modelos de negócios. Seu valor depende de vários fatores: os dois principais são o estágio ou nível de informatização e o ramo no qual a empresa opera.

Esse Índice é o gasto total destinado a TI, a soma de todos os investimentos, despesas e verbas alocadas em TI, incluindo: equipamento, instalações, suprimentos e materiais de consumo, software, serviços, comunicações e custo direto e indireto com pessoal próprio e de terceiros em TI, dividido pela receita da empresa.

Pode-se comprovar que quanto mais informatizada a empresa, maior é o valor desse Índice. Nos últimos 34 anos, ele cresceu 6% ao ano, passando de 1,3% em 1988 para 8,7% em 2021/22. Mesmo assim, existe muito espaço para crescer e chegar nos níveis dos países mais desenvolvidos.

Outro indicador, entre os mais de 50 analisados na Pesquisa, é o CAPU - Custo Anual de TI por Usuário de R$ 50.000: Gastos e Investimentos em TI dividido pelo número de usuários da empresa. Seu comportamento não tem economia de escala, cresce com o tamanho da empresa. Varia conforme o ramo, nas empresas de Serviços a média é R$ 58.000, na Indústria R$ 45.000, no Comércio R$ 32.000 e atinge R$125.000 nos Bancos.

Nos Bancos em 2021 e 2022 os Gastos e Investimentos com TI crescem 11% ao ano, atingindo 32 bilhões de reais em 2022, isto é, 15% do valor total das empresas no Brasil.

A Pesquisa levanta a participação no mercado dos fabricantes de 26 categorias de Software. A Microsoft continua dominando várias categorias no usuário final, algumas com mais de 90% do uso. Os fabricantes que mais cresceram sua participação, foram: Google e Qlik.

Os Sistemas Integrados de Gestão (ERP) da TOTVS e da SAP têm 33% do mercado cada, Oracle 11% e outros 23%. A TOTVS lidera nas menores e SAP nas maiores empresas.

As novas tecnologias provocam a necessidade de integrar cada vez mais o físico com o digital e demandam a implementação de novos processos integrados internamente, externamente e principalmente com o ecossistema da empresa. Assim sendo, o “novo” ERP continua a ser o coração da transformação digital.

Os programas de Inteligência Analítica (BI - Business Intelligence and Analytics) continuam sendo uma categoria de destaque e entre as mais lucrativas para os fabricantes. SAP, Oracle, TOTVS, Microsoft, Qlik e IBM, nesta ordem, são os líderes desse com 94% do mercado. Apesar de todo esse arsenal de ferramentas modernas, 90% do uso de Inteligência Analítica no departamento financeiro das empresas é Excel.

A Pesquisa aprofunda seus estudos em três ramos da economia: nos Bancos, onde ressaltamos que o volume de transações por meios virtuais com origem no celular (Mobile Banking) e Internet tendem a 90% das transações, desse total perto de 90% por smartphone, nos Hospitais privados temos o inovador CAPL - Custo Anual de TI por Leito de R$ 162.000 e no AgroNegócio mostramos um comportamento parecido, com a média da indústria.

Os principais projetos de TI relatados na Pesquisa, continuam sendo Inteligência Analítica (Analytics) combinada com Inteligência Artificial e implementação e integração do “novo” ERP. Nas grandes empresas: Governança de TI, IoT (Internet das Coisas), Migração para a Nuvem, Software como Serviço, Segurança Cibernética. Sempre com foco no Alinhamento Estratégico e na Transformação Digital.

Dois temas merecem destaque: pela primeira vez apareceram projetos prioritários de TI como instrumento para apoio e implementação de ESG - Environment, Social and Governance e cresceu a dificuldade na busca e na retenção de talentos de TI, a oferta de mão de obra de TI está cada vez mais defasada da demanda nacional e mundial.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do(s) autor(es), não refletindo necessariamente a posição institucional da FGV.

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