FGV lança novo Centro de Estudos que reúne pesquisadores e agentes de segurança pública

FGV Analytics vai aplicar ferramentas de Inteligência Artificial para apoiar a formulação de políticas de segurança pública no Estado de São Paulo.
公共政策
25 十月 2023
FGV lança novo Centro de Estudos que reúne pesquisadores e agentes de segurança pública

“A instalação de um centro de estudos sobre políticas de segurança é uma excelente notícia tanto para a comunidade acadêmica, como para o setor governamental e a população do Estado”, disse o presidente do Conselho Superior da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, Marco Antônio Zago, durante o evento de lançamento do FGV Analytics, que ocorreu nesta segunda-feira (23), na Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EAESP). 

O FGV Analytics busca acelerar o uso de ferramentas de inteligência artificial com o objetivo de auxiliar a formulação de políticas na área de segurança pública. O vigésimo centro da FGV EAESP surgiu a partir de uma parceria entre a Fundação Getulio Vargas, a Fapesp, a Universidade de São Paulo (USP) e a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP). 

De acordo com o presidente da Fapesp, uma das financiadoras deste projeto, as iniciativas voltadas para segurança pública são numerosas e necessárias, porém essa incitava em particular traz componentes especiais que buscam mobilizar a comunidade acadêmica para se debruçar sobre o problema com o olhar da ciência, tecnologia e a inovação. 

“Segurança pública não é responsabilidade exclusiva do Estado. Ela deve ser compartilhada por toda a sociedade, assim como os pesquisadores. Então, faz total sentido que essa iniciativa seja apoiada pela Fapesp. Além disso, o FGV Analytics é um excelente exemplo do novo perfil da Fapesp comprometido com as políticas públicas. Grande parte dos projetos que a Fundação apoia é voltada para descobertas de novos conhecimentos. Mas os projetos de políticas públicas vão além do avanço no conhecimento, pois buscam trazer a solução de um problema, a fim de gerar impacto positivo na sociedade”, destacou Zago.


Desafios e temas urgentes 

O pesquisador do FGV Analytics, Roberto Speicys, declarou que o uso de ferramentas tecnológicas pode melhorar a eficiência das polícias de segurança pública. Esta utilização pode ser ainda mais eficiente em desafios atuais, como é o caso das áreas de consumo aberto de drogas, regiões conhecidas como cracolândia. 

“Essas regiões que são tomadas por usuários de drogas afetam a segurança do cidadão, do comércio e das residências. Uma grande dificuldade de enfrentar e caracterizar essas áreas é mensurar quantas pessoas estão ali, pois é difícil saber com precisão os limites dessas regiões, o que torna desafiador avaliar o impacto das políticas públicas visto que não há visibilidade de como essas ações afetam a realidade na prática”, explicou Speicys. 

O pesquisador também afirma que, através dos estudos a serem realizados pelo FGV Analytics, será possível coletar esses dados por meio de drones e utilizar ferramentas de IA para identificar indivíduos e objetos em imagens georreferenciadas. O histórico de dados pode ser utilizado para mensurar os efeitos de políticas públicas na área de segurança.

"Manter o histórico desses dados é fundamental na formulação dessas ações na cracolândia. Porém, realizar essa coleta de dados periodicamente possui um custo alto. Neste cenário, se a gente automatiza a coleta desses dados por meio da tecnologia torna-se mais viável coletar informações e orientar a formulação de políticas públicas a partir delas”. 

Internacionalização e formação 

O evento de lançamento contou com a participação de agentes da Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Científica, representantes da SSP-SP, Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), pesquisadores da FGV e USP e representantes da Fapesp.  

O coordenador do FGV Analytics, João Luiz Becker, relembrou que o Centro se organiza a partir de uma chamada pública da Fapesp, Ciência para o Desenvolvimento, voltada para pesquisadores se debruçarem em realizar estudos que evidenciem a realidade do estado, no intuito de apontar possíveis soluções nas mais diversas áreas. 

“Queremos estimular o processo decisório de elaboração de políticas públicas com o foco em evidência. Para isso, buscamos a participação e articulação com atores internacionais para nos tornarmos uma referência mundial na aplicação de tecnologias em segurança pública”, disse o coordenador do Centro, que atualmente conta com cerca de 30 pesquisadores associados. Ele também ressaltou que o projeto traz formação em alto nível, pois a Fapesp, junto a FGV, disponibilizou diversas bolsas de estudo para acolher profissionais da área da segurança pública e ofertar formação voltada para o setor de políticas públicas. 

Interação entre Pesquisadores e Agentes de Segurança Pública

Para a diretora de Pesquisa e Inovação da FGV, Goret Paulo, o FGV Analytics é mais um exemplo de centro de pesquisas da FGV que busca gerar impacto positivo na sociedade através de estudos, com alto rigor metodológico, desenvolvidos a partir de questões definidas, em conjunto, por formuladores de políticas públicas e pesquisadores.

“Procuramos estruturar redes de pesquisadores nacionais e internacionais que façam contribuições para a resolução dos desafios enfrentados pela sociedade, conforme a missão da FGV, que é de contribuir para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil”, declarou a diretora.

Para o promotor de Justiça do MPSP, Fabio Bechara, a relação do pesquisador com tomador de decisão não tem como dar errado: “Essa relação dá sentido para a pesquisa, ao mesmo tempo que diminui a chance de erro do tomador de decisão”.  

O chefe de gabinete da SSP-SP, Paulo Maculevicius, que representou o secretário da Segurança Pública de SP Guilherme Derrite durante o evento, também evidenciou a interação entre o poder público com instituições de pesquisa como forma de solucionar problemas que afligem a população. “A partir desta interação é possível detectar o problema, pautar a sociedade, e mensurar os dados do que já foi feito por meio da gestão baseada em evidências pautadas em dados”, disse o chefe de gabinete.

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