Seminário do Ibre discute política monetária brasileira

Para um auditório lotado, especialistas em política monetária traçaram o que seria, hoje, o modelo ideal de equilíbrio econômico para o Brasil. O debate aconteceu no 1º Seminário de Política Monetária, realizado na última quinta-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), no Rio de Janeiro. Entre os discursos de José Júlio Senna, chefe do Centro de Estudos Monetários do FGV/Ibre, Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central, e Eduardo Loyo, economista-chefe do BTG Pactual e ex-diretor do BC, houve consenso: será preciso uma depreciação ainda mais robusta do câmbio, ou seja, para além dos R$ 3,20 atuais, se o país quiser equilibrar seus preços relativos no mercado interno e controlar a inflação no futuro ? já que as demais moedas estrangeiras também têm sofrido desvalorização frente ao dólar.?Há espaço para que o real desvalorize mais. O preço dos bens ?tradables? (comercializados internacionalmente) não subiram ainda como deveriam para corrigir o déficit em conta corrente. Para isso, é preciso executar um desvio de demanda, de bens ?tradables? para ?non tradables?, e a desvalorização cambial ajuda nisso?, salientou Senna. ?Estamos fazendo isso no momento em que outras moedas concorrem conosco na depreciação da moeda americana, isso significa que precisaremos de muito mais desvalorização?, completou Loyo.Pastore reiterou que o ciclo de fortalecimento do dólar será longo. ?A execução da política monetária hoje no Brasil é dependente da política fiscal e o real tem que desvalorizar mais que o euro para fazer depreciação?. O ex-presidente do BC também disse que o Brasil dificilmente atrairá investimento europeu com o Quantitative Easing (operação utilizada pelo Banco Central de um país para injetar dinheiro novo na economia na tentativa de movimentá-la). ?Dinheiro europeu viria ao Brasil se o nosso risco fosse baixo, mas não virá e irá para os EUA fortalecendo ainda mais o dólar?, ressaltou. Além disso, os especialistas mostraram-se preocupados com a perda de expectativa de longo prazo sobre a inflação no momento em que o Brasil decidir retomar a trajetória de crescimento. ?Teremos que passar pela redução de risco inflacionário e, assumir o compromisso de reduzir inflação, vai ensejar custos significativos, pois as projeções ainda parecem pouco compatíveis para essa convergência?, explicou Afonso Bevilaqua, também ex-diretor do BC. Sergio Werlang, ex-diretor do Itaú e do BC, seguiu uma linha de pensamento mais macroeconômica ao destacar que o país já vive um aperto monetário e que a partir de agora só colherá frutos mexendo na política fiscal, sobretudo através de corte dos gastos públicos, algo que já vem sendo feito pelo governo.








