Nova pesquisa da DAPP/FGV revela radiografia da polícia nas manifestações

A nova pesquisa da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (DAPP/FGV), publicada no jornal O Globo deste domingo, revelou que 69% dos policiais brasileiros dizem que agiram durante as manifestações da forma que foi possível e 64% deles apontaram que não receberam treinamento específico para lidar com elas.Os dados ? extraídos de um levantamento feito pela internet com 4.499 policiais militares de todas as regiões do país ? apontam que os agentes entendem a novidade que os protestos representam, e que precisam estar mais preparados. ?Os policiais se sentiram tendo que improvisar diante de uma situação inesperada?, explica o diretor da DAPP, Marco Aurélio Ruediger, que coordenou o estudo. ?Os policiais têm muita dificuldade de saber agir nessas situações, tanto pelo aspecto legal quanto pelo próprio treinamento deles, e isso gera transbordos de violência que afetam a todos, especialmente aos que estão lá pacificamente?, complementa.Ruediger alerta para o fato de que os governos precisam ter consciência que os protestos devem continuar e que, por isso, a atuação das forças de segurança deve ser repensada. ?Isso leva a estrutura do Estado a ter que fazer uma reflexão e um aprimoramento institucional rápido, porque não é uma coisa passageira?, continua, destacando o papel das redes sociais na propagação e manutenção do fenômeno. ?A sociedade civil está cada vez mais conectada a esses instrumentos digitais?.Uma avaliação da própria atuaçãoA maior parte dos policiais não acredita que as ações dos agentes nos protestos foram adequadas: apenas 10% apontaram como correto o comportamento nas manifestações. Outros 19% responderam que ?alguns colegas não agiram da forma certa, mas não se pode generalizar?.Além disso, mais da metade dos entrevistados (ou 60%) indicou que a atuação das polícias é determinada pelos governos estaduais.Black blocsA pesquisa realizada pela DAPP também perguntou aos policiais o que eles pensam sobre os black blocs. 78% responderam não identificar no grupo uma motivação clara, 24% acreditam que o objetivo deles seria enfrentar e agredir os policiais, e 9% dos agentes afirmaram que os black blocs defendem os direitos dos cidadãos.A análise foi feita a partir de 5.304 entrevistas com agentes policiais, colhidas entre 26 de novembro de 2013 e 14 de janeiro deste ano.Clique aqui para ler a matéria completa.








