Estudo da FGV faz panorama do rolezinho carioca

63% dos participantes do ?rolezinho? que aconteceu no Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, possuem curso superior completo ou incompleto, 62% deles são do sexo masculino, 39% moram em comunidades e 18% têm renda de até dois salários. É o que aponta pesquisa realizada pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas (DAPP/FGV) e publicada hoje no jornal O Globo. O levantamento ? realizado a partir de entrevistas com 260 dos 300 manifestantes que se concentraram na frente do shopping no dia 19 de janeiro ? revela as especificidades do movimento carioca.?Os manifestantes têm perfil diferente dos que participaram dos rolezinhos de São Paulo e, na verdade, vieram ali em solidariedade ao movimento de São Paulo. A rede [social] vem acabando com o bairrismo e unindo pessoas em torno de interesses difusos como o de se manifestar, o direito ao consumo e na cobrança da qualificação dos serviços públicos?, afirma o sociólogo e diretor da DAPP, Marco Aurélio Ruediger.De acordo com Ruediger, o objetivo do estudo foi analisar o novo fenômeno. ?Há um grupo que não é grande, mas tem uma visão mais radicalizada, não quer fazer uma grande manifestação, mas encontra formas de conseguir capitalizar a atenção e de reverberar pequenos atos no cotidiano. Este tipo de protesto é novo no Brasil, mas lembra os Estados Unidos na luta pelos direitos civis?, exemplifica o pesquisador. ?O mesmo ocorre no shopping. Embora o protesto não seja agressivo, agride porque incomoda. Você está em seu momento de lazer, quando um grupo passa protestando por direitos?, explica.?Rolezinho? carioca possui motivações políticasOs resultados mostram ainda as motivações políticas na organização do ?rolezinho? no Rio: 84% afirmaram ter interesse por política, mas não se sentem representados pelos políticos atuais (88%); 77% disseram que ?protestar? foi a motivação para ir ao evento e 3,5% afirmaram ser esta a segunda motivação. Além disso, 44% se disseram motivados pelo apoio ao ?rolezinho? de São Paulo, enquanto 29% foram para protestar contra a discriminação em relação aos pobres e 19% pela discriminação racial.Por fim, 50% dos entrevistados afirmaram terem sofrido discriminação em shoppings do Rio. Entre eles, 52% disseram que se sentiram discriminados por vendedores e 19% por seguranças.Clique aqui e leia a matéria completa.








