Centro de Relações Internacionais organiza conferência sobre história nuclear do Brasil e da Argentina

机构
27 三月 2012

O Centro de Relações Internacionais do CPDOC organizou entre os dias 21 e 23 de março uma conferência sobre a história dos programas nucleares de Brasil e Argentina entre os anos 1967 e 1988. A conferência aconteceu no formato de uma história oral crítica, com a reunião de personagens-chave da política nuclear dos dois países para responder a perguntas de acadêmicos e discutir documentos abertos para consulta. A conferência é resultado de uma parceria firmada entre o CPDOC e o Departamento de Ciência Política e Estudos Internacionais da University of Birmingham. Nicholas J. Wheeler, diretor do Instituto de Estudos de Conflito, Cooperação e Segurança Internacional da universidade britânica, e Matias Spektor, coordenador do Centro de Relações Internacionais da FGV, organizaram o evento. Os palestrantes responderam a uma série de perguntas formuladas em conjunto pelos pesquisadores da FGV e de Birmingham. Juntaram-se ao grupo os professores John Tirman, diretor do Centro de Relações Internacionais do MIT, Andrew Hurrell, da Universidade de Oxford, e Timothy McDonnell, do Woodrow Wilson International Center for Scholars. Os resultados da conferência podem levar os historiadores a reconsiderarem aspectos centrais da história da relação bilateral entre Brasil e Argentina. A maioria dos especialistas considera, até hoje, que os dois países se engajaram em uma rivalidade latente durante os regimes militares dos dois lados, principalmente após a segunda metade dos anos 1970. Tal rivalidade explicaria em grande parte os programas nucleares secretos desenvolvidos por Brasília e Buenos Aires. O fim das ditaduras militares teria criado as condições para a reaproximação. No entanto, esta narrativa deve ser revista.  Evidências surgidas na conferência sugerem que, embora alguma rivalidade tenha existido entre os dois países, ela não foi a causa principal dos programas nucleares secretos. As suspeitas de ambos os lados foram mitigadas pelos importantes laços entre técnicos e cientistas dos dois países, que mantinham o fluxo de informações mesmo nos momentos mais tensos das negociações bilaterais. No nível político, ambos os países compartilhavam uma posição crítica ao regime internacional de não-proliferação, o que em última instância acabou contribuindo para a construção da confiança. Com o fim da conferência, a equipe de pesquisadores prepara-se para a publicação da transcrição completa da entrevista, além da publicação online de uma série de documentos inéditos sobre o tema. O CPDOC também trabalha em um documentário sobre o encontro. 

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