Lia Valls afirma que taxa de câmbio não provocou efeitos desastrosos na balança comercial

机构
13 一月 2012

Surpresa foi a palavra que melhor definiu o resultado da balança comercial brasileira em 2011, que fechou o ano com saldo de US$ 29,79 bilhões. O que fez o superávit disparar no ano passado e bater as previsões da maioria dos economistas foi, principalmente, o boom no preço das commodities, além da taxa de câmbio não ter provocado efeitos tão desastrosos quanto se esperava, de acordo Lia Valls, pesquisadora da área de Economia Aplicada do IBRE, especializada em comércio exterior. ?No começo de 2011, as expectativas para a balança comercial estavam mais pessimistas. O mercado previa que o ano fecharia com saldo positivo em torno de US$ 8 bilhões, pois eles não apostavam no aumento estrondoso dos preços, e fomos surpreendidos?, diz Lia. Para 2012, a economista aposta numa balança também superavitária, ? US$ 17,4 bilhões, conforme a primeira estimativa do IBRE ? só que com menor desempenho do que no ano anterior por conta das pressões econômicas externas empurradas, especialmente, pelas incertezas na Europa e com a possibilidade da China, crescer um pouco menos, em torno de 8%. ?Sendo a maior compradora dos produtos do Brasil e país que pode influenciar nos preços de commodities também exportadas pelo Brasil no mercado mundial, como soja e minério de ferro, a China é muito importante para o desempenho da nossa balança este ano?, comenta. Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda e sócio da Tendências Consultoria Integrada, vai mais longe, com a expectativa de que o superávit chegue a US$ 28 bilhões, como apontou em entrevista à Conjuntura Econômica de dezembro. Mas, porque os especialistas divergem tanto nas projeções do saldo da balança comercial, geralmente a cada início de ano? Segundo Lia, para se chegar ao valor próximo do correto são necessários inúmeros fatores, que por vezes, são difíceis de prever tempos antes. ?Primeiro, ele depende muito de questões internas, como o ritmo de crescimento da economia, fato que afeta bastante as importações, porque as pessoas tem mais dinheiro para comprar importados, e a taxa de câmbio que é muito difícil de estimar. Do lado das exportações, também temos que considerar o câmbio, mudanças climáticas e variáveis que estão fora do controle do governo, que é o que está acontecendo agora com o cenário internacional?, afirma. O mais provável, segundo ela, é as perspectivas irem se acertando ao longo dos meses, à medida que os analistas vão percebendo o mercado.  

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