DAPP e OPEN Knowledge lançam índice de dados abertos para o Brasil

Os benefícios de uma política de dados abertos são inúmeros e passam pela ampliação da eficiência da gestão, da criação de uma instrumento de cobrança de resultados da administração pública, do fomento da accountability e do controle social, do engajamento da sociedade civil com a gestão pública e da melhora da imagem do ente público, com potencial de torná-lo referência internacional.
Public Policy
09 May 2017
dados-abertos

A Diretoria de Análise de Políticas Públicas da FGV (DAPP) e a Open Knowledge Brasil (OKBR) lançaram, nas duas últimas semanas, as edições brasileiras do Open Data Index (ODI). O levantamento é uma ferramenta de avaliação e identificação de gargalos, de forma a orientar a administração pública em relação ao aprimoramento de suas políticas de dados abertos. A partir do trabalho conjunto entre as duas instituições, foram construídos três levantamentos para o país: Open Data Index (ODI) Brasil, no nível nacional, e ODI São Paulo e ODI Rio de Janeiro, no nível municipal. Estes dois últimos indicadores fazem parte de uma iniciativa pioneira, já que pela primeira vez o Brasil terá ODIs regionais, para além do levantamento na esfera federal.

O ODI Brasil, lançado no dia 27 de abril, revelou que o país está no 8º lugar no ranking mundial, empatado com os Estados Unidos e a Letônia, e que ocupa a liderança entre seus vizinhos da América Latina. Ao todo, foram analisadas, a partir de nove critérios, 15 dimensões relacionadas a temas como gastos públicos, meio ambiente e legislação. O país alcançou, no balanço geral, pontuação de 64%, o que o coloca em oitavo lugar no ranking mundial, uma posição antes dos Estados Unidos. Numa comparação entre os países da América Latina, o Brasil lidera.

No entanto, a pontuação geral indica que ainda há muito espaço para aprimoramentos. Apenas seis - ou 40% - dimensões do índice receberam a nota total, ou seja, foram consideradas totalmente abertas: Orçamento Público, Resultados Eleitorais, Mapas Nacionais, Estatísticas Socioeconômicas, Leis em Vigor e Atividade Legislativa. Já para três dimensões pesquisadas, não foram sequer encontrados bancos de dados públicos: Localizações, Qualidade da Água e Propriedade da Terra.

O ODI São Paulo, lançado dois dias antes, teve resultado similar. No balanço geral, o município teve um resultado positivo no índice, com 75% da pontuação total. Dentro das dimensões de análise do índice, sete dos 18 bancos de dados avaliados obtiveram nota máxima: isso significa que 38% dos bancos de dados para a cidade foram considerados plenamente abertos. Por outro lado, a dimensão de Propriedade da Terra foi avaliada com 0%, devido à indisponibilidade de dados; e outras quatro obtiveram uma nota inferior a 50% (Registro de Empresas, Qualidade da Água e Previsão do Tempo).

Já o ODI Rio de Janeiro, lançado no último dia 4 de maio, mostrou um desempenho um pouco diferente. A capital fluminense obteve uma pontuação geral alta, de 80%. O estudo indica, porém, que apenas cinco dimensões (Resultados Eleitorais, Mapas da Cidade, Limites Administrativos, Estatísticas Criminais e Escolas Públicas) atingiram a pontuação individual de 100%, sendo considerados plenamente abertos apenas 27% dos bancos de dados. A incompletude do dataset aparece seis vezes, isto é, não existe disponibilização de determinadas informações consideradas essenciais. A questão da restrição do acesso aparece apenas na dimensão de Registro de Empresas. A dimensão Propriedade de Terra também é considerada crítica, tendo em vista que não existem dados disponíveis para a realização da avaliação conforme o ODI.

Em síntese, acredita-se que essas informações podem ser úteis para subsidiar uma política de dados abertos no âmbito municipal e federal, pois fornecem os caminhos para replicação das boas práticas e correção dos pontos de atenção. Os benefícios de uma política de dados abertos são inúmeros e passam pela ampliação da eficiência da gestão, da criação de uma instrumento de cobrança de resultados da administração pública, do fomento da accountability e do controle social, do engajamento da sociedade civil com a gestão pública e da melhora da imagem do ente público, com potencial de torná-lo referência internacional.

Os relatórios completos estão disponíveis para download:

ODI Brasil
ODI São Paulo
ODI Rio de Janeiro

Confira o vídeo da apresentação dos dados do ODI Rio de Janeiro abaixo:

Our website collects information about your device and browsing activity through the use of cookies seeking to allow features such as: improving the technical functioning of web pages, measuring the diffusion of the website and offering relevant products and services through personal advertisement. To find out more about the information and cookies we collect, visit our Cookie Policy and our Privacy Policy (available soon in English).