DAPP analisa o comportamento dos usuários das redes sociais em torno do depoimento de Lula a Moro

Mapeamento identificou uma maioria que parece ter se cansado da polarização. O grupo responde por cerca de um terço das menções (32,3%) e não se posicionou incisivamente a favor (como 19,2%) ou contra o ex-presidente (20,7%)
Public Policy
16 May 2017
DAPP analisa o comportamento dos usuários das redes sociais em torno do depoimento de Lula a Moro

A Diretoria de Análise de Políticas Públicas da FGV mapeou o debate político no Twitter e Facebook em torno do depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz Sérgio Moro. Apresentado nas redes sociais como a luta do século, o embate entre os admiradores e detratores de Lula e Moro fez surgir a maior novidade da internet brasileira dos últimos tempos, a terceira força.

Levantamento feito pela DAPP ao longo de 24 horas antes e depois do interrogatório mostra que a polarização segue dominando as redes sociais, mas não é mais a única expressão relevante no Twitter e no Facebook. Embora menos organizada do que os grupos contra e a favor do ex-presidente Lula, este terceiro campo político revela uma tentativa de avaliação equidistante do depoimento do ex-presidente, muitas vezes criticando os dois protagonistas e o tom de guerra dos militantes partidários — e por vezes em tom satírico.

O estudo mostrou que o interrogatório recebeu 650 mil menções no Twitter, volume expressivo, mas inferior ao 1,5 milhão mobilizados em torno da greve geral contra as reformas na Previdência e nas leis trabalhistas. O grupo formado pelos não alinhados — perfis não necessariamente de um mesmo campo político, mas que têm em comum o fato de não se aliarem aos discursos pró e contra Lula nas redes — respondeu, no período analisado, por cerca de um terço das menções (32,3%). Os perfis de oposição a Lula responderam por 20,7% das interações; enquanto os de apoio, por cerca de 19,2%. Os demais 28% são formados por grupos menores e fragmentados da rede.

A análise geográfica do debate no Twitter sobre o depoimento — a partir do volume de menções ponderado pela população de cada Estado — mostra um debate distribuído pelo país, mas com algumas diferenças entre cada cluster. O Distrito Federal e Rio de Janeiro se destacaram no grupo favorável ao juiz Sérgio Moro; enquanto Sergipe, Minas Gerais e São Paulo, no grupo pró-Lula.

Já no plano da distribuição por faixa etária, em relação às referências a Lula, constata-se amplo predomínio no debate de perfis acima dos 34 anos, em contraste com a distribuição etária dos usuários de Facebook no Brasil, em que jovens até essa idade são maioria. Tal tendência é vista, inclusive, em outras discussões sobre temas de política e economia, por exemplo, com os mais jovens em menor engajamento e participação. E, tanto em apoio a Lula quanto em apoio à Lava Jato, há predomínio de perfis acima dos 34 anos.

A análise sugere que, no debate visando o cenário de 2018, há um importante — e talvez crescente — campo político (ainda que não organizado) que se mostra cansado da polarização tradicional. Em termos de agenda pública, esse grupo tende a abrir espaço para uma agenda que concilie pautas dos campos tradicionais, mas vá além.

O fator etário deve ser, nesse sentido, importante, com a juventude adquirindo protagonismo na eventual viabilização de uma alternativa política. É, portanto, um movimento que tende a buscar a superação da dicotomia cristalizada nos últimos anos, mobilizando uma pauta de melhoria do sistema política como um todo e de geração de novas oportunidades.

O estudo completo está disponível no site.

Our website collects information about your device and browsing activity through the use of cookies seeking to allow features such as: improving the technical functioning of web pages, measuring the diffusion of the website and offering relevant products and services through personal advertisement. To find out more about the information and cookies we collect, visit our Cookie Policy and our Privacy Policy (available soon in English).