Transformações na estrutura tributária não acompanharam mudanças da matriz econômica

O evento “Tributação 4.0: que tributos devem incidir” debateu estratégias tributárias para aumentar a competitividade de indústria e procurou identificar os componentes do corrente sistema tributário que criam empecilhos ao progresso industrial, apontando soluções tributárias alinhadas às necessidades de expansão do setor e do país.
Law
14 May 2018
Transformações na estrutura tributária não acompanharam mudanças da matriz econômica

Há anos, a indústria tem perdido participação no produto nacional e nas exportações e sua recuperação e expansão requererão alinhamento com as melhores práticas internacionais, inclusive na esfera tributária. Duas razões explicam essa queda: o próprio processo de desindustrialização da economia brasileira, que faz com que a produção industrial represente parcela cada vez menor do valor adicionado ao preço final da mercadoria; e a extrafiscalidade do IPI, que reduz a arrecadação dos setores desonerados.

O evento “Tributação 4.0: que tributos devem incidir”, organizado pelo Núcleo de Estudos Fiscais da Escola de Direito de São Paulo (FGV Direito SP) em 25 de abril, debateu estratégias tributárias para aumentar a competitividade de indústria e procurou identificar os componentes do corrente sistema tributário que criam empecilhos ao progresso industrial, apontando soluções tributárias alinhadas às necessidades de expansão do setor e do país.

A primeira constatação, feita pelo professor Robson Gonçalves (FGV Educação Executiva) é que há muito mais interdependência entre os setores do que a tentativa clássica de divisão do cálculo do PIB entre agricultura, indústria e serviço.

“A agropecuária representa apenas 5% do PIB, porém no cálculo do setor de agribusiness consideram-se outros produtos, como fertilizantes e tratores, que são relevantes para a atividade-fim”, destaca.

Segundo o professor, não se conseguiu fazer uma estrutura tributária inteligente para refletir as necessidades da indústria 3.0, o que dificulta pensar em adaptações para indústria 4.0, marcada pela inteligência artificial e a mudança do perfil do emprego.

“Essas mudanças não se resumem à mera agregação de atividades, mas devem refletir a mudança de papeis dos agentes envolvidos”, explicou.

Para Lucilene Prado, advogada do Derraik & Menezes Advogados, a grande questão é que não houve transformações apenas nas indústrias. Os padrões de consumo mudaram e o que os desejos das novas gerações não coincidem com as aspirações das gerações anteriores.

“A economia está desmaterializada e o nosso modelo de tributação está completamente desadaptado a essas novas aspirações”, explica.

Uma resposta a essas aspirações pode vir do projeto de reforma tributária estruturado pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF), coordenado pelo economista Bernard Appy e pelos professores da FGV Eurico de Santi, Isaías Coelho e Nelson Machado, da FGV.

A proposta estabelece uma alíquota única, que substituiria todos os impostos do Brasil, entre eles o IPI. Segundo o professor Eurico de Santi, o Brasil é um dos poucos países que tem tributo que incide só sobre indústria, o que é um ingrediente a mais para a falta de competitividade da indústria nacional.

Our website collects information about your device and browsing activity through the use of cookies seeking to allow features such as: improving the technical functioning of web pages, measuring the diffusion of the website and offering relevant products and services through personal advertisement. To find out more about the information and cookies we collect, visit our Cookie Policy and our Privacy Policy (available soon in English).