Palestra aborda desafios socioeconômicos e turismo receptivo

"O Brasil, em termos de indústria turística, ainda não disse a que veio, com registro de 6 milhões de turistas por ano, enquanto o México tem 34 milhões e Canadá, menor em população, 18 milhões. O Brasil é mentalmente muito fechado, e precisa estar mais aberto não só para o turismo, mas à imigração", defende Marcelo Neri.
Public Policy
05 June 2018
Palestra aborda desafios socioeconômicos e turismo receptivo

O diretor do FGV Social, Marcelo Neri, fez a palestra magna na solenidade de abertura do 60º Congresso Nacional de Hotéis – Conotel 2018, em Fortaleza. O encontro é um dos mais tradicionais eventos da indústria hoteleira e do setor de turismo do país. Neste ano o congresso reuniu mais de 4 mil pessoas e promoveu intercâmbio entre os setores ligados ao turismo brasileiro. Neri, realizou a palestra a convite de Luis Gustavo Barbosa, que comanda o núcleo de turismo na FGV Projetos, e abordou o tema “Desafios Socioeconômicos e Turismo Receptivo”.

“Quais são os dois ativos diretos do turismo? Além da infraestrutura física, a natureza e a cultura estão à frente na sustentabilidade do negócio. A pobreza da população nativa é transformada quando se investe em turismo. Mas existe um problema de externalidades, como falta de saneamento e sujeira nas praias, por exemplo”, disse Neri, baseado em avaliações do FGV Social.

“No período de 2008 a 2017, o turismo receptivo registrou crescimento na receita principalmente na Ásia em comparação com África e Oriente Médio. O mercado hoje é 34% Europa e 34% Ásia, que agora deve ter ultrapassado o velho continente – as Américas aparecem com 24% de aumento no período. O Brasil, em termos de indústria turística, ainda não disse a que veio, com registro de 6 milhões de turistas por ano, enquanto o México tem 34 milhões e Canadá, menor em população, 18 milhões. O Brasil é mentalmente muito fechado, e precisa estar mais aberto não só para o turismo, mas à imigração. De 2003 a 2017 o turismo no Brasil cresceu pouco, impulsionado pelos grandes eventos esportivos que o país recebeu. Precisamos muito desenvolver e temos potencial para o turismo. ”

Dados locais sobre o setor também foram apresentados. Segundo Neri, o estado mais participativo no desempenho do turismo receptivo doméstico em 2011 é São Paulo, com 20,6%. Rio de Janeiro e Santa Catarina vêm a seguir, com 8,3% e 7,1% respectivamente. O lazer ainda impacta mais o turismo no país, acompanhado pela “ameaça” representada pela concorrência que é a princípio boa mas acaba sendo predatória no caso do Airbnb, o maior hotel do mundo.

A ascensão da classe C também foi lembrada por Neri. Ele destacou que de 2003 a 2015, a classe C foi a que mais cresceu, configurando maior registro de voos por pessoas que nunca haviam viajado por este meio. “O problema do Brasil hoje é que a desigualdade está aumentando. É preciso que haja o crescimento da renda de quem faz turismo. A população brasileira cresce 0,8% ao ano, e precisamos nichar o público que está crescendo, como idosos e estudantes de nível superior”.   Mostrando as projeções do envelhecimento da população, Neri falou sobre a importância da terceira idade para o Turismo, um público com alta renda e tempo disponível.

“O Brasil tem potencial para turismo receptivo e outros tipos. Sobretudo, o brasileiro é comprovadamente o povo mais satisfeito com a vida futura, o que sinaliza a nossa capacidade de sonhar. Mas isso pode ser prejudicial no ponto de vista de investimentos presentes em educação, produtividade ou poupança”. Ao finalizar sua apresentação, Neri debateu a agenda para o setor, enumerando os principais desafios a serem vencidos. “Na economia, é preciso evolução em produtividade, abertura, ajuste fiscal, ambiente de negócios e educação. No Turismo receptivo, é preciso atacar 5 frentes infraestrutura, internet, impostos, isonomia com Airbnb e inclusão social”.

A apresentação do economista está disponível no site. Marcelo Neri também publicou um estudo sobre o assunto, intitulado “Turismo Sustentável e Alivio à Pobreza (Tsap): avaliação de impacto de um programa de desenvolvimento ao turismo no Brasil” publicado na Revista de Administração Pública (RAP), da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (FGV EBAPE).

Our website collects information about your device and browsing activity through the use of cookies seeking to allow features such as: improving the technical functioning of web pages, measuring the diffusion of the website and offering relevant products and services through personal advertisement. To find out more about the information and cookies we collect, visit our Cookie Policy and our Privacy Policy (available soon in English).