Reforma da Previdência é base para recuperação financeira dos estados, diz pesquisadora da FGV

Para Vilma Pinto, pesquisadora da área de Economia Aplicada do FGV IBRE, a reforma da Previdência ajudaria a desafogar o nó da gravata que aperta o pescoço dos governos estaduais.
Economics
20 February 2019
Reforma da Previdência é base para recuperação financeira dos estados, diz pesquisadora da FGV

Os estados brasileiros passam por grave crise financeira. Parte do problema é causada pela rigidez orçamentária, que pode ser vista a partir do peso da folha de pagamento com pessoal sobre as despesas primárias totais – atualmente há estados que gastam mais de 70% de suas despesas primárias com folha de salários – Gráfico 1, fazendo com que sobre uma parcela pequena do orçamento para investimentos e gastos correntes com saúde, segurança, educação etc.

Para Vilma Pinto, pesquisadora da área de Economia Aplicada da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), a reforma da Previdência ajudaria a desafogar o nó da gravata que aperta o pescoço dos governos estaduais. Levantamento feito pela economista aponta elevada razão de dependência previdenciária nas contas dos estados.

O indicador, segundo Vilma, “corresponde à razão entre os beneficiários (servidores aposentados e os pensionistas) sobre os contribuintes (servidores ativos)”. Nesse quesito, o Rio Grande do Sul está no topo da lista, com uma dependência de 162,7%, seguido por Minas Gerais (128,7%) e Rio de Janeiro (114%). Vilma ressalta que os entes da federação com pior resultado do indicador de razão de dependência previdenciária são os mesmos que estão com a saúde fiscal mais comprometida.

 

“A crise fiscal enfrentada pelos estados se caracteriza, primeiramente, como uma crise de fluxo. Atualmente, muitos estados têm enfrentado dificuldades para pagar a folha de salários e fornecedores. Por sua vez, esses estados têm visto a quantidade de servidores inativos e pensionistas aumentar nos últimos anos, pressionando as despesas e agravando ainda mais a crise de fluxo dos entes federativos”, detalhou.

Para a pesquisadora, a reforma pode resolver o problema fiscal a longo prazo, “mas essa relação só se resolve com a reforma da Previdência mesmo”. Vilma aponta algumas medidas que já poderiam ter tomadas para minimizar o problema.

“As causas da crise federativa são muitas e não existe solução única ou mágica. Há medidas que podem ser adotadas individualmente, mas não é o ideal. Acredito que, primeiramente, deve-se aprovar o Conselho de Gestão Fiscal, que está previsto na LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal), mas o Projeto de Lei tramita desde 2000. Além do Conselho, será importante uma ampla reforma tributária que busque eliminar a guerra fiscal do ICMS e confira aos estados uma fonte de receita menos ineficiente”, analisou a especialista.

Our website collects information about your device and browsing activity through the use of cookies seeking to allow features such as: improving the technical functioning of web pages, measuring the diffusion of the website and offering relevant products and services through personal advertisement. To find out more about the information and cookies we collect, visit our Cookie Policy and our Privacy Policy (available soon in English).