O RH pode contribuir com processos de transformação digital?

Num mundo de grande complexidade e aceleradas mudanças, o profissional de RH precisa ser um agente de transformação, para acompanhar toda esta revolução chamada de 4.0, já a caminho da Revolução 5.0

Administration
31/01/2020
Denize Dutra

As organizações privadas, públicas ou do terceiro setor, para serem sustentáveis, precisam assegurar seus resultados, que podem ser avaliados por diferentes indicadores. Resultados dependem das pessoas! Por mais que a tecnologia esteja avançando, são pessoas que criam estas tecnologias e fazem a gestão das mesmas.

O ser humano pode mudar radicalmente a natureza do seu trabalho, mas sempre será o cerne das organizações! Recursos Humanos têm a importante missão de cuidar das pessoas para que elas façam acontecer! Num mundo de grande complexidade e aceleradas mudanças, o profissional de RH precisa ser um agente de transformação, para acompanhar toda esta revolução chamada de 4.0, já a caminho da Revolução 5.0.

Cabe ao RH contribuir para criação de novos modelos de gestão, de novas metodologias e ferramentas, que facilitem o processo de transformação cultural, preservando ou, até mesmo, revendo os valores organizacionais, de forma a assegurar a ética nas relações e nos negócios.

É comprovado que produtividade impacta resultados e estudos demonstram que pessoas mais felizes e engajadas no propósito da organização são mais produtivas. Humanizar as organizações é um fator crítico de sucesso!

Antigamente RH cuidava da folha de pagamento. Hoje existem sistemas altamente sofisticados, onde todo este trabalho é feito de forma muito mais precisa e rápida, bem como outras funções da administração de RH. Vamos fazer uma analogia com um profissional de vendas: antes, o RH era um tirador de pedidos de um cliente, que dizia o que queria e o RH entregava sem ter qualquer tipo de influência na construção desta solução e muito menos na avaliação, se era realmente aquilo que o cliente precisava. Hoje RH é um consultor de soluções, que precisam ser desenhadas a partir do conhecimento do negócio, das necessidades do cliente e do domínio de tecnologias aplicadas a função RH. Mais do que construir a solução, ele ajuda a entender a necessidade e muitas vezes se antecipa, oferecendo soluções para demandas que ainda nem foram identificadas.

O uso de tecnologias está revolucionando a forma de atrair, recrutar, selecionar, desenvolver, avaliar e remunerar pessoas. Hoje muitas organizações usam as redes sociais e ferramentas altamente inovadoras para conhecer o perfil do candidato e depois fazer a gestão do contratado.

RH têm trabalhado com People Analytics para fazer a gestão de seus indicadores e ocupar o espaço estratégico de influenciador do negócio.

A área de RH, há menos de uma década, ainda era aquela área que recebia profissionais que gostavam de trabalhar com gente, mas não necessariamente tinham uma formação consistente para atuar eficazmente. Hoje, é bem claro que, assim como ocorre com projetos, finanças, jurídico, etc., o profissional de RH precisa ser um especialista com visão sistêmica e estratégica. Necessita conhecer o negócio, todas as áreas da empresa, tecnologia, todos os sistemas de RH e conhecer conceitos e ferramentas que permitam prover as soluções eficazes que garantam o presente e que ajudem a organização a pensar e se preparar para o futuro desejado.

Há pouco tempo era muito comum encontrar na área de RH psicólogos, assistentes sociais, pedagogos e administradores. Hoje, existe uma grande diversidade de formações acadêmicas dos profissionais que atuam na área: temos direito, economia, engenharia, profissionais que têm um profundo conhecimento da atividade fim, sendo trazidos para o RH para poder adequar as políticas e ações de RH às necessidades do negócio.

Mesmo olhando para o cenário atual de um país de mais de 13 milhões de desempregados, e onde as empresas estão trabalhando com estruturas cada vez mais enxutas, acredito que o mercado de trabalho para o profissional de RH está crescendo, pois esta atividade hoje é percebida como estratégica para as organizações. Já não são mais as grandes corporações que empregam RH, mesmo pequenos negócios, startups, órgão públicos, projetos sociais, todos reconhecem a importância de ter um profissional que olhe para as pessoas e procure dar os suportes para os demais líderes fazerem a gestão de suas equipes.

*As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do(s) autor(es), não refletindo necessariamente a posição institucional da FGV.

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