Revista Conjuntura Econômica atenta para os riscos da perda do grau de investimento brasileiro

Outro impacto de um possível rebaixamento seria a consequente perda de rating das empresas no país, já que perderiam capacidade de investir, reduzindo sua capacidade de financiamento para novos projetos. 
Institutional
01 April 2015

Não bastasse lidar com os inúmeros problemas econômicos domésticos, entre eles o baixo crescimento, a inflação nas alturas e a fraca confiança de empresários e consumidores, o risco de perda do grau de investimento pelas agências de risco também tem tirado o sono do governo. Nas últimas semanas, o país recebeu a visita de representantes das três principais agências de rating internacionais ? Moody?s, Standard & Poor?s e Fitch Ratings. Uma boa noticia foi que a S&P resolveu manter a perspectiva estável para o risco soberano no país que está em BBB-, a um passo do grau especulativo. Mas ainda é cedo para comemorações.Conforme alerta a reportagem de capa da edição de abril da revista Conjuntura Econômica, que chega às bancas na segunda quinzena do mês, o grande temor do governo e dos empresários é que, se um downgrade ocorrer (queda de nível do grau de investimento), o Brasil perderá bilhões de dólares em investimentos. Isso porque investidores estrangeiros ? como grandes fundos de pensão, por exemplo ? estão impedidos de aplicar recursos em países com grau especulativo. Essa barreira certamente agravaria a situação econômica do país. Além disso, outro impacto de um possível rebaixamento seria a consequente perda de rating das empresas no país, já que perderiam capacidade de investir, reduzindo sua capacidade de financiamento para novos projetos. Até agora, a queda nos preços das commodities e a alta dos juros já estão fazendo com que muitas companhias enfrentem dificuldades de caixa.Especialistas tentam desvendar quais serão os próximos passos das agências acompanhando com lupa os indicadores ? desempenho das contas públicas, PIB, inflação e grau de abertura comercial ? que elas avaliam para tentar inferir o que pode acontecer com o rating brasileiro. Samuel Pessôa, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), acredita que dificilmente as agências de risco irão rebaixar as notas de crédito, mas alerta para o fato de que a situação fiscal do país é a pior desde 1997. ?As agências poderiam dar um crédito à política econômica adotada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, mas sabem que o quadro fiscal do país se deteriorou muito?, explica.Já o economista do Banco Safra, Carlos Kawall, lembra que, no curto prazo, a situação da Petrobras é um risco a mais que ameaça o investment grade. Ele explica que a necessária desvalorização real do câmbio agrava o quadro financeiro e econômico da empresa e poderá levar à necessidade de aporte do acionista controlador por meio de garantias de crédito ou futura capitalização. ?De importância sistêmica, a empresa pode contaminar o risco país?, destaca.

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