Estudo de professor da EBAPE revela aumento de casamentos inter-raciais

Após 125 anos da abolição da escravatura, o Brasil ainda apresenta desigualdades raciais. É o que revela a matéria especial ?Eu escrevo minha história?, do Jornal O GLOBO, divulgada no último domingo, dia 12 de maio de 2013. A reportagem traçou um panorama da situação dos negros no país desde a época da escravidão até os dias de hoje. Entre os destaques apontados estão o aumento da proporção de negros e pardos no ensino superior (que dobrou) e a constatação de que a maioria dos negros já pertence à classe média. Outro fator importante na matéria foi o resultado do estudo liderado pelo professor da EBAPE Kaizô Beltrão, em parceria com Sonoe Sugahara e Moema De Poli (ambas da Ence/IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que apontou um aumento entre casamentos inter-raciais: de 8% em 1960 para 31% em 2010. Em 1960, os casamentos eram primordialmente endogâmicos (com alguém da mesma etnia), mais de 90%. Já em 2010, os casamentos endogâmicos caíram para um pouco mais de 2/3. De acordo com o estudo, existe uma tradição histórica de miscigenação racial na sociedade brasileira desde os primórdios coloniais. Como se estruturam internamente as famílias brasileiras com respeito a um conceito de hierarquia racial? Várias pesquisas realizadas pelo IBGE (PNADs, Censos, POF, PMEs, etc.) perguntam sobre a cor/raça do indivíduo. Ainda que as respostas possam ter um grau de subjetividade, parece haver uma certa persistência temporal e as margens de variação, quando mensuradas não ultrapassam 5%. Houve uma tendência ao ?embranquecimento?, ao menos no nível da declaração censitária até o censo de 1991 (Wood & Carvalho, 2003) e uma reversão nos dados de 2000 e 2010. Para uma análise de mudanças na composição ?racial? da população brasileira, é fundamental uma compreensão do comportamento em relação aos casamentos inter-raciais. Um dos primeiros estudos sobre casamento inter-racial no Brasil foi desenvolvido por Staley em 1959. Neste estudo, ele observa que no Brasil 70% dos casamentos inter-raciais são dos tipos ?elíseo? (casais que desconhecem totalmente qualquer preconceito racial ou pressão social oriunda de preconceito racial) ou ?nesédico? (casais com relativo isolamento social o que os torna pouco sensíveis às pressões sociais oriundas de preconceitos raciais). A análise dos dados dos Censos 1960, 1980, 1991, 2000 E 2010 desvenda uma certa mudança na proporção de casamentos exogâmicos (inter-raciais).
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