Castelar comenta maior patamar do dólar desde 2009

Institutional
21 May 2012

Desde a terça-feira, 15 de maio, após atingir R$ 2,00, o dólar mantém-se estável. O valor é o maior já registrado desde julho de 2009, um aumento de 7% no ano. Esse novo patamar tem agradado o governo federal, que desde o ano passado, tenta desvalorizar o real frente à moeda americana através de medidas que visam aumentar a competitividade da indústria brasileira, como a cobrança de 1% de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em cima de operações com derivativos, ou seja, contratos feitos no mercado futuro. As recentes incertezas na economia internacional, principalmente com o futuro da Zona do Euro, foram o estopim da valorização do dólar no mercado doméstico. Contudo, intrínseco ao fato, estão os efeitos que a desvalorização cambial pode surtir sobre a inflação, e consequentemente, sobre os preços dos produtos.
 

Segundo Armando Castelar, coordenador da área de Economia Aplicada do IBRE, há com o que se preocupar. ?Em certa medida essa valorização do dólar é desejada pelo governo, mas existe um desejo de que isso não dure pouco tempo. E há duas razões para isso: a primeira é o impacto sobre a inflação, o que deve ocorrer, só não se sabe a intensidade. A outra causa é porque grande parte das empresas usam insumos importados em suas produções, e esses, tendem a ficar mais caros. Se o processo for mais lento, dá tempo dessas empresas se planejarem e procurarem outras alternativas, outros fornecedores?, ressalta.
 

O economista também salienta a possibilidade do Banco Central intervir, caso os impactos inflacionários sejam grandes, o que, segundo Castelar, o ministério da Fazenda e o empresariado não acreditam que aconteça. ?A partir da experiência que tiveram em 2008/2009, o governo acredita que o impacto na inflação vai ser pequeno, mas isso ninguém sabe. A economia mundial não está tão fraca quanto estava naquela época, e tudo depende da percepção do mercado?, salienta. ?Acho que essa visão (do mercado) é a de que o real não vai ficar desvalorizado por muito tempo, tanto que as projeções do valor do dólar estão beirando R$ 1,80 até o final do ano, dada as condições atuais do Brasil em termos de tamanho de déficit, preços de commodities, disponibilidade de financiamento, etc?, acrescenta Castelar.
 

Para ele a preocupação do BC é a velocidade com que o câmbio se depreciará, mais do que propriamente o nível que ele deve atingir. E completa: ?Estão aumentando a atenção ao risco, as pessoas já estão tirando seu dinheiro dos bancos europeus, os investidores estão saindo dos ativos de risco, e, mal ou bem, o Brasil ainda é um ativo de risco por ser uma economia emergente?.

 

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