Seminário de Análise Conjuntural aponta para retomada da economia brasileira em 2017

Regis Bonelli, coordenador do Boletim Macro do IBRE e um dos organizadores do evento, fez uma introdução aos temas debatidos, com destaque para a divulgação da forte queda do PIB brasileiro em 2016, divulgado recentemente pelo IBGE. Segundo ele, trata-se da mais longa e profunda recessão já vivida pelo país.
Economics
16 March 2017

O Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da FGV promoveu, no dia 13 de março, o primeiro Seminário de Análise Conjuntural de 2017. O evento, realizado no Centro Cultural da FGV, reuniu pesquisadores do IBRE, que apresentaram suas projeções de evolução do Produto Interno Bruto (PIB), do comportamento da inflação, da confiança de empresas e consumidores, da política fiscal e monetária, da economia internacional e do mercado de trabalho, entre outros temas.

Regis Bonelli, coordenador do Boletim Macro do IBRE e um dos organizadores do evento, fez uma introdução aos temas debatidos, com destaque para a divulgação da forte queda do PIB brasileiro em 2016, divulgado recentemente pelo IBGE. Segundo ele, trata-se da mais longa e profunda recessão já vivida pelo país.

“A queda do PIB no último trimestre foi de 0,9%, que é igual exatamente à taxa média dos últimos 11 trimestres da recessão que estamos experimentando desde o segundo trimestre de 2014. Essa taxa é, inclusive, um pouco maior que a da última recessão longa que o Brasil passou, do 3º trimestre de 1989 ao 2º trimestre de 1992, que apresentou queda média de 0,7%. Logo, a recessão atual é não só a mais longa registrada pelas contas nacionais, como, também, a mais profunda”, destacou, evidenciando em seguida que há alguns sinais de retomada, ainda que fracos.

Em seguida, foi a vez do economista José Julio Senna falar sobre a política monetária nos EUA e no Brasil. Ele destacou que há muito tempo não se experimenta um quadro com comportamento tão favorável para a inflação no Brasil. Segundo ele, o ambiente recessivo do país, somado à política econômica focada no ajuste fiscal de longo prazo e ao ambiente internacional vem contribuindo para a desaceleração da inflação, além da atuação do Banco Central.

Já Aloisio Campelo falou sobre as expectativas de empresas e consumidores. Ele destacou que no seminário anterior o cenário era de calibragem entre a confiança do mercado e a retomada da economia, e que o início de 2017 demonstra um retorno de otimismo, apesar de ainda haver muita cautela e preocupação. Segundo ele, apesar dos índices de confiança apontarem para uma possível saída da recessão, o cenário ainda é de dúvida.

O tema seguinte do seminário foi o panorama da inflação no curto prazo. Salomão Quadros destacou que a partir de setembro de 2016 o movimento de desaceleração da taxa inflacionária aumentou de intensidade, chegando ao ápice em janeiro de 2017, quando começou a perder intensidade. Apesar disso, ele apontou que a inflação deve continuar em queda, podendo chegar, no terceiro trimestre, a 3,8%. O pesquisador destacou que o segmento de alimentação é um dos principais responsáveis por essa queda e que, também no terceiro trimestre, deve registrar deflação de 2,5%, algo que não ocorre desde 2006, voltando a subir nos meses finais do ano.

Por fim, Silvia Matos falou sobre as projeções macroeconômicas. Ela destacou que há sinais de retomada gradual da economia, com sinais positivos para o primeiro e segundo trimestres de 2017. Ela frisou que os indicadores apontam para uma saída lenta da recessão e que, para a economia voltar a crescer a taxas mais elevadas, será necessário restaurar a solvência do setor público no médio e longo prazo.

Após as exposições, o seminário foi aberto para comentários. Samuel Pessôa destacou que a conjuntura econômica brasileira apresenta uma série de boas notícias após uma grande recessão, mas que os números fiscais são absolutamente assustadores, com o déficit primário previsto para 2017 sendo o maior da história. Já Bráulio Borges frisou que o cenário internacional é economicamente positivo, mas que a incerteza política no mundo é preocupante, o que causa uma dicotomia entre crescimento econômico global e incerteza política. Por fim, Armando Castelar mencionou que a questão fiscal, hoje, é a mais importante e que as discussões no Congresso Nacional sobre reforma da previdência devem impactar as análises econômicas nos próximos meses.

O próximo Seminário de Análise Conjuntural do IBRE será realizado no dia 12 de junho.

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