Artigo de Antonio Freitas analisa Educação no país

Institucional
07 Janeiro 2013

Na última semana de 2012, a Folha de São Paulo publicou o artigo ?A Miopia Governamental e o Censo da Educação Superior?, do Pró-reitor de Ensino, Pesquisa e Pós-graduação da FGV e membro da Academia Brasileira de Educação Antonio Freitas.  No texto, Freitas critica o sistema educacional brasileiro e avalia o papel atual do ensino superior no país.   Leia a seguir a íntegra do artigo. A Miopia Governamental e o Censo da Educação Superior O Censo da Educação Superior do Brasil revela um sistema educacional míope e tosco, se não confuso e primitivo, por não considerar as graves deficiências da Educação Básica, cuja responsabilidade é dos governos federal, estadual e municipal. Na maioria das escolas do país faltam professores qualificados, sem falar nas escolas da periferia, onde professores extremamente mal remunerados trabalham em ambientes inóspitos. É um milagre que o Brasil seja um dos países piores avaliados no PISA, exame mais reputado da educação básica no mundo. A educação brasileira situa-se em torno da 60ª posição, e contraditoriamente, o país ocupa a 6ª posição na economia mundial. Como isso ocorre? Graças à imensa educação continuada que existe no país, sem controle efetivo do Ministério da Educação, que consegue tornar esses profissionais capazes de gerir empresas internacionalmente competitivas. Pela primeira vez o IBGE identificou que 11% dos universitários já tinham outro diploma de curso superior e buscaram um segundo diploma, talvez pela inadequação do sistema universitário brasileiro, em que o aluno tem que fazer escolhas prematuras sobre profissões, eventualmente, dissociadas do mercado de trabalho. A adequação desses profissionais ao mercado de trabalho, quase sempre vem de cursos de pós-graduação lato ou stricto sensu.A relevância do conteúdo do ensino superior no Brasil está amarrada na decisão pregressa de que a educação superior existe para oferecer educação profissional, isto é, a profissionalização precoce. Logo, desde o ensino médio, com uma evasão superior a 50%, inicia-se um processo de restrição da visão do mundo das gerações futuras, tornando-se candidatos à profissão antes de serem candidatos ao saber. Ao ingressarem nas Instituições de Ensino Superior, tendo vindo, do ensino básico, em geral, de péssima qualidade, salvo as exceções de elite, os estudantes brasileiros orientam-se para uma matriz profissionalizante, deixando de lado uma formação mais abrangente, humanística, histórica, social, enfim, a educação verdadeira. E o que acontece com os outros 50%? Lotam as cadeias, ficam subempregados ou dependentes da caridade dos governos. Soma-se à isso a negligência do Estado em prover educação equitativa para todos os estudantes brasileiros. É um crime não cumprir a Constituição oferecendo educação de qualidade a todos os brasileiros. Quantos Joaquim Barbosa, Villa Lobos, Oscar Niemeyer e tantos outros brasileiros, com igual potencial, são abandonados no meio do caminho?

Nosso website coleta informações do seu dispositivo e da sua navegação por meio de cookies para permitir funcionalidades como: melhorar o funcionamento técnico das páginas, mensurar a audiência do website e oferecer produtos e serviços relevantes por meio de anúncios personalizados. Para saber mais sobre as informações e cookies que coletamos, acesse a nossa Política de Cookies e a nossa Política de Privacidade.