Barômetros globais: desaceleração da economia mundial segue seu curso

Em agosto de 2022, o indicador global cai 3,4 pontos atingindo 82,5 pontos, o menor nível desde junho de 2020 (60,7 pts.).
Economia
11 Agosto 2022
Barômetros globais: desaceleração da economia mundial segue seu curso

Os Barômetros Globais voltam a cair em agosto, sinalizando uma expressiva desaceleração do crescimento mundial no trimestre. O Barômetro Coincidente recua pelo sétimo mês consecutivo enquanto o Barômetro Antecedente volta a cair depois de registrar estabilidade no mês anterior. Os resultados refletem uma perspectiva pessimista para o crescimento econômico global também nos próximos meses.

O Barômetro Econômico Global Coincidente recua 3,5 pontos em julho de 2022, para 88,9 pontos, acumulando 22,3 pontos de queda desde fevereiro deste ano; o Barômetro Econômico Global Antecedente cede 3,4 pontos no mês, marcando 82,5 pontos. Embora em níveis ainda bem superiores aos dos piores momentos das crises de 2008-09 e de 2020, ambos indicadores estão agora em níveis somente alcançados nestas duas recessões do século XXI. Os resultados são disseminados entre as regiões do mundo, com uma queda mais intensa na região da Ásia, Pacífico & África.

“A reação das autoridades econômicas ao redor do globo, face às elevações de preços ao longo de todas as cadeias produtivas e de consumo, implica no fim do ciclo de estímulos creditícios iniciado na pandemia. Refletindo esse cenário, o desempenho mais recente dos Barômetros Globais aponta para uma desaceleração do nível de atividades global generalizada entre os setores ao longo do segundo semestre”, avalia Paulo Picchetti, pesquisador do FGV IBRE.

Barômetro Coincidente – Indicadores de regiões e setores
 

Em agosto, todas as regiões contribuem para o resultado negativo do Barômetro Coincidente. A maior contribuição é a da região da Ásia, Pacífico & África, com -2,5 pontos, enquanto a Europa contribui com -0,9 ponto. A região do Hemisfério Ocidental contribui com -0,1 ponto. A queda no indicador global é causada em parte pelas restrições de fornecimento relacionadas à guerra no leste europeu e à desaceleração econômica na Ásia, continente que tinha dado sinais de recuperação nos dois meses anteriores, após o alívio nas restrições de mobilidade adotadas na China como medida auxiliar no combate a um surto de Covid-19. A nova queda dos indicadores coincidentes da região sugere que a aparente retomada pode ter sido um efeito temporário. O gráfico do Press Release ilustra a contribuição de cada região para a distância do Barômetro Coincidente em relação aos 100 pontos. 

Entre os indicadores setoriais coincidentes, a queda foi disseminada em todos os setores. O destaque negativo do mês é o setor da Construção, com queda de 4,0 pontos e com o menor patamar entre todos os setores (71,5 pontos). Com o resultado, todos os indicadores se afastam ainda mais da média histórica de 100 pontos, sendo o setor da Construção o mais distante (28,5 pts.) e o da Indústria, o menos distante (9,5 pts.).

Barômetro Antecedente – Indicadores de regiões e setores
 

O Barômetro Global Antecedente antecipa os ciclos das taxas de crescimento mundial em três a seis meses. Em agosto, o indicador global cai 3,4 pontos atingindo 82,5 pontos, o menor nível desde junho de 2020 (60,7 pts.). Assim como ocorre no Barômetro Coincidente, a região da Ásia, Pacífico & África foi a que mais contribuiu para a queda, com -1,9 ponto. A Europa também contribui de forma negativa pelo terceiro mês consecutivo (1,4 ponto). Já o indicador antecedente do Hemisfério Ocidental ficou estável no mês, após três meses de contribuições negativas. As expectativas de crescimento global em 2022 vêm piorando em decorrência, dentre outros fatores, da continuidade da guerra entre Ucrânia e Rússia e da adoção de políticas monetárias mais restritivas em diversos países. Tais fatores têm contribuído para manter o indicador global em região desfavorável.

Em agosto de 2022, quatro dos cinco indicadores antecedentes setoriais estão em queda. Apenas o indicador do Comércio sobe no mês, depois de três quedas consecutivas. Todos os indicadores giram abaixo e distantes da média histórica de 100 pontos, com destaque negativo para a Construção que está 24,4 pontos abaixo do nível neutro. No extremo oposto, o Comércio é o setor distante (13,6 pontos)

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