Brasil conquista novos mercados, mas produtos variam pouco

As exportações brasileiras passaram de US$ 60,4 bilhões para US$ 201,9 bilhões entre 2002 e 2010, apresentando um crescimento médio anual de 16%. O desempenho ficou acima do internacional, de 12%, e fez com que a participação do Brasil nas vendas externas mundiais (1,33%) superasse a meta da Política de Desenvolvimento Competitivo de 2008, de 1,25%. O bom desempenho nacional pode ser explicado pelo crescimento da economia no mundo ? em especial o da China ? e pelo aumento do preço das commodities. Neste cenário, a presença dos produtos básicos (commodities primárias agrícolas e minerais) subiu de 28% para 45% na pauta de exportações do país. No entanto, o aumento do valor exportado é explicado por um número cada vez menor de produtos ? revela artigo da pesquisadora do IBRE, Lia Valls, divulgado hoje. ?A concentração das exportações nas commodities é motivo de debate sobre os rumos da política comercial?, alerta a pesquisadora. Segundo ela, apesar do Brasil ser um exportador de commodities diversificado ? minério de ferro, soja, carnes, celulose, entre outras ? a instabilidade dos preços das commodities pode tornar a pauta mais vulnerável, o que reflete obstáculos que o país enfrenta para aumentar sua participação nos fluxos dinâmicos do comércio mundial. ?O Brasil é o terceiro maior exportador mundial de produtos agrícolas e não está na lista dos 15 principais exportadores mundiais de manufaturas, segundo os dados para 2009 da Organização Mundial do Comércio (OMC)?, afirma a pesquisadora. No artigo, a pesquisadora também comenta a diversificação dos mercados para os quais o Brasil vende suas commodities, embora a quantidade de novos produtos tenha sido de apenas 43 entre os anos de 2002 e 2008. ?As exportações de um país refletem a competitividade (produtividade) da sua oferta de produtos e serviços. O fato de apenas 43 novos produtos terem entrado na pauta de exportações entre 2008 e 2002 pode ser interpretado como um sinal que o país não esteja criando novas fontes de competitividade. Por outro lado, países de renda alta aumentam o seu valor exportado por meio da intensificação do valor exportado dos mesmos produtos para mercados já conhecidos e/ou novos?, analisa. Ainda segundo Lia Valls, a situação do Brasil caracteriza um caso limítrofe, em que o crescimento das exportações pela exploração dos mesmos produtos deve ser entendido como um desafio constante. ?O bom desempenho entre 2002/2008 revelou o sucesso em alguns mercados. No entanto, preocupa o tema de como o país irá manter a sua participação ? a entrada nos países africanos de produtos manufaturados brasileiros, por exemplo, enfrenta um cenário de aumento da concorrência?. A pesquisadora chama atenção para o fato de que a diversificação dos mercados ainda não foi retomada após a crise. ?Essa questão é importante, para que não aumente a vulnerabilidade externa via preços das commodities e dependência de mercados?, finaliza. Para ler o artigo ?Exportações: novos mercados com os mesmos produtos?, acesse aqui.
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