No Brasil, pandemia agravou o enfraquecimento da atenção primária à saúde

Para recuperar a resiliência do Sistema Único de Saúde (SUS), segundo os autores, é preciso tornar os serviços de atenção primária à saúde mais acessíveis à população.
Políticas Públicas
21 Julho 2022
No Brasil, pandemia agravou o enfraquecimento da atenção primária à saúde

A pandemia de Covid-19 intensificou a tendência de queda de procedimentos realizados na atenção primária à saúde no Brasil, com redução de 42,5% de rastreios, 28,9% de diagnósticos e 41,2% de consultas médicas entre 2019 e 2022. O alerta é dos pesquisadores Adriano Massuda, Alessandro Bigoni, Marco Antonio Paschoalotto, Renato Tasca do Centro de Estudos em Planejamento e Gestão da Saúde (FGVsaúde) da FGV EAESP e foi publicado na revista “GV Executivo” em junho de 2022.

Para recuperar a resiliência do Sistema Único de Saúde (SUS), segundo os autores, é preciso tornar os serviços de atenção primária à saúde mais acessíveis à população. Alguns caminhos apontados pelo estudo são aumentar o financiamento federal e a participação dos governos estaduais na distribuição de recursos. O estudo também aponta como necessária uma estratégia de valorização dos recursos humanos, com remuneração e condições de trabalho atrativas, e que as equipes disponham de infraestrutura e tecnologia adequadas aos exames diagnósticos e procedimentos realizados na atenção primária à saúde.

“A pandemia provocada pela Covid-19 realçou o papel da atenção primária à saúde (APS) para a resiliência de sistemas de saúde em âmbito global. O crescimento exponencial de casos graves da doença levou ao colapso mesmo de sistemas de saúde com boa infraestrutura hospitalar”, ressaltaram os autores. Em pesquisas anteriores mencionados pelos autores notam-se efeitos positivos dessa atuação na redução de desigualdades em mortalidade entre grupos raciais, por exemplo.

Por outro lado, aponta o artigo, políticas de redução das equipes e de transferência de recursos se acentuaram com o congelamento do teto de gastos federais por 20 anos, aprovado pelo Congresso em 2016. Com a falta de coordenação federal na resposta à Covid-19, as gestões municipais assumiram as despesas para manter os serviços ativos, o que aumentou as desigualdades regionais, já que as prefeituras apelam às próprias fontes de financiamento.

“No combate à Covid-19, o governo federal relegou o papel da atenção primária à saúde ao segundo plano, embora as equipes de Estratégia de Saúde da Família tenham tido historicamente papel importante no controle de doenças transmissíveis. O rastreamento e o tratamento de contatos são atividades de rotina dessas equipes ao lidar com casos de tuberculose e meningite, por exemplo. A combinação de análise epidemiológica e contato direto com a população conferiu maior resiliência ao sistema de saúde brasileiro ao lidar com epidemias como da H1N1, da dengue e do zika vírus”, frisam os autores.

Confira o estudo na íntegra.

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