Centro de Políticas Sociais lança pesquisa sobre desigualdade no país

Institucional
05 Maio 2011

A desigualdade social no Brasil atingiu em 2010 o menor patamar em pelo menos 50 anos, resultado de investimentos em educação e em programas sociais, mostrou a pesquisa lançada na terça-feira, dia 3 de maio, intitulada Desigualdade de Renda na Década, elaborada pelo Centro de Políticas Sociais e coordenada por Marcelo Neri. O índice de Gini, padrão internacional para medir a desigualdade social, alcançou no ano passado 0,5304, de acordo com dados da FGV. Trata-se do melhor patamar desde a década de 1960. Esse é um dado até conservador, porque a pesquisa abrange apenas as regiões metropolitanas do país, e houve os últimos avanços significativos no interior e na área rural, comenta Neri. Segundo ele, Nosso Gini ainda é estupidamente alto em relação a outros países, mas estamos avançando. Nesta terça, o governo anunciou que cerca de 16,2 milhões vivem na extrema pobreza no país e serão incluídos em um programa de combate à miséria que será lançado dentro de algumas semanas.O índice de Gini atingiu seu ápice no início da década de 1990, quando chegou a 0,6091, e passou a cair após o início da estabilidade econômica promovida pelo Plano Real. Os programas sociais também tiveram um papel importante, mas menos relevante que a educação, acrescentou. A taxa acumulada de crescimento da renda na década passada foi de 10,03 por cento entre os 10 por cento mais ricos e de 67,93 por cento para os 50 por cento mais pobres. Já entre os 20 por cento mais pobres, os anos de estudos cresceram 55,59 por cento, com um avanço da renda de 49,52 por cento. Entre os 20 por cento mais ricos, a escolaridade cresceu 8,12 por cento, com aumento de 8,88 por cento na renda. Os analfabetos tiveram um incremento na renda na década passada de 47 por cento, e as regiões onde o rendimento mais cresceu foram em Estados do Nordeste e Norte, áreas mais pobres do país. O Brasil mais do que cumpriu a Meta do Milênio com esses resultados, afirmou Neri. Entre dezembro de 2009 e dezembro de 2010, o avanço na redução da pobreza no país foi de 16,3 por cento. Desde o início do Plano Real, em 1994, até agora a pobreza caiu no Brasil 67,3 por cento, de acordo com a pesquisa. Um dos compromissos da presidente Dilma Rousseff é acabar com a pobreza no país ao longo de 5 anos. Acho ousada a meta de erradicação da pobreza em cinco anos, mas já cumpriu uma parte importante do caminho de reduzir em 50 por cento a pobreza, entre 1990 e 2015, acrescentou ele.A pesquisa foi tema principal na mídia e internet no dia de sua divulgação. No dia seguinte à divulgação do estudo, ao pesquisar no Google o termo ?desigualdade FGV? e filtrando a data de publicação em apenas 24 horas, obteve-se ?Aproximadamente 37.000 resultados?. O site da pesquisa conta com dispositivos interativos de consulta a bancos de dados, onde o internauta pode visualizar os números da renda, pobreza e desigualdade na década, além de textos, vídeos e links. Acesse: www.fgv.br/cps/dd