Clima Econômico da América Latina piora com expectativas menos favoráveis
Economia
10 Maio 2018

Clima Econômico da América Latina piora com expectativas menos favoráveis

No grupo de 11 países selecionados para a análise da América Latina, cinco registraram piora no clima econômico. Os maiores recuos entre janeiro e abril ocorreram na Argentina (-17,5 pontos), Brasil (-15,7 pontos) e Peru (-11,3 pontos).

Após registrar um saldo positivo de 1,5 ponto em janeiro, o Indicador Ifo/FGV de Clima Econômico (ICE) da América Latina — elaborado em parceria entre o Instituto alemão Ifo e a FGV — retorna à zona desfavorável no segundo trimestre, com um saldo de -5,2 pontos. A piora do ICE foi influenciada majoritariamente pelo Indicador das Expectativas (IE), que se mantém em patamar positivo mas recuou 16,6 pontos entre janeiro e abril. Já o Indicador da Situação Atual (ISA) ficou relativamente estável em território negativo.

O indicador da região seguiu, em grandes linhas, o comportamento do ICE Mundial, embora este tenha permanecido na zona de avaliação favorável. O ICE Mundial passou de 26,1 pontos, em janeiro, para 16,5 pontos, em abril, com estabilidade do ISA e queda, de 23,9 pontos para 6,1 pontos, do IE, no mesmo período. Esta queda interrompe a trajetória de melhora observada desde outubro de 2017. O resultado indica que a economia mundial continua num ciclo expansivo, mas sinaliza uma possível desaceleração no ritmo de crescimento econômico no segundo semestre

Embora as principais economias europeias, dos Estados Unidos e do Japão registrem indicadores positivos de clima econômico, as quedas dos Estados Unidos e do Japão, em torno de 22,0 pontos, chamam atenção. Nos Estados Unidos, o IE passou de positivo para negativo; no Japão, continuou positivo, mas recuou 22,3 pontos. O Reino Unido registrou melhora no ICE, mas permaneceu na zona desfavorável.

Entre os países integrantes dos BRICS, a Índia e a África do Sul estão na zona favorável e melhoraram o clima econômico entre janeiro e abril. No caso da África do Sul, o indicador passou de negativo para positivo, associado a um cenário mundial mais favorável devido ao aumento de preços de commodities e à melhora nas expectativas com relação aos investimentos produtivos. Já a Rússia e o Brasil registraram piora. No Brasil, o ICE passou de 4,3 pontos positivos, em janeiro, para 11,4 pontos negativos, em abril. O ISA ficou relativamente estável, mas as expectativas passaram de 85,2 para 47,8 pontos, o pior resultado desde julho de 2017 (34,6 pontos).

No grupo de 11 países selecionados para a análise da América Latina, cinco registraram piora no clima econômico. Os maiores recuos entre janeiro e abril ocorreram na Argentina (-17,5 pontos), Brasil (-15,7 pontos) e Peru (-11,3 pontos). Mesmo com esta forte retração, a Argentina e o Peru permaneceram na zona favorável.

Já o Brasil encaminhou-se para a zona de clima desfavorável. Os problemas mais relevantes foram a corrupção e a infraestrutura inadequada, ambos com 90,9 pontos. Acima de 80 pontos foram destacados: demanda insuficiente; aumento na desigualdade de renda; e, falta de competitividade internacional. Só não foram considerados problemas relevantes (abaixo de 50 pontos): gerenciamento da dívida; clima favorável para o investidor estrangeiro; e, atuação do Banco Central.

O estudo completo está disponível no site.