Confiança da Construção recua e atinge menor nível desde setembro de 2018

“A conjunção de baixo crescimento, contingenciamento de recursos orçamentários com aumento das incertezas desanimou os empresários da Construção" avalia Ana Maria Castelo, do FGV IBRE.
Economia
28 Maio 2019
Confiança da Construção recua e atinge menor nível desde setembro de 2018

O Índice de Confiança da Construção (ICST), do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), caiu 1,8 ponto em maio, para 80,7 pontos, o menor nível desde setembro do ano passado (80,4 pontos). Em médias móveis trimestrais, o ICST recuou pela terceira vez consecutiva, desta vez em 1,4 ponto.

“A conjunção de baixo crescimento, contingenciamento de recursos orçamentários com aumento das incertezas desanimou os empresários da Construção. A percepção vigente na virada do ano, de que havia uma melhora lenta mas contínua no ambiente de negócios, dá lugar a um pessimismo, cada vez mais disseminado entre os segmentos do setor. Em maio, o aumento do pessimismo afetou especialmente a área de edificações residenciais e de obras viárias”, avalia Ana Maria Castelo, Coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE.

Com a queda do ICST em maio, o índice continua sem registrar alta neste ano, e acumula perda de 4,7 pontos nos cinco primeiros meses do ano. O resultado do ICST foi influenciado principalmente pelo Índice de Expectativas (IE-CST), que recuou 3,0 pontos, a maior queda na margem desde agosto do ano passado (-3,2 pontos). O índice ficou em 89,4 pontos, influenciado por indicador de demanda prevista, que caiu 2,7 pontos, para 89,4 pontos e indicador de tendência dos negócios, que cedeu 3,3 pontos, para 89,5 pontos.

O Índice de Situação Atual (ISA-CST) recuou 0,6 ponto em maio, para 72,4 pontos. O resultado negativo do ISA-CST foi exclusivamente influenciado pelo indicador que mede o grau de satisfação com a situação atual dos negócios, que retraiu 1,4 ponto, retornando ao nível próximo de setembro de 2018 (74,1 pontos).

O Nível de Utilização da Capacidade (NUCI) do setor ficou relativamente estável, ao variar +0,1% ponto percentual, para 66,3% em maio. Tanto o NUCI para Máquinas e Equipamentos quanto o NUCI para Mão de Obra também ficaram estáveis, com variação idêntica à do NUCI agregado.

Acompanhando a piora nas expectativas em relação à demanda nos próximos meses, os empresários ajustaram para baixo suas previsões de contratação. “Depois de um período de forte contração do mercado de trabalho – entre dezembro de 2013 e dezembro de 2018 - em que as construtoras demitiram cerca de 1,2 milhão de trabalhadores – as empresas iniciaram o ano contratando. A piora do cenário ameaça esse movimento de recuperação do mercado de trabalho”, observou Ana Maria Castelo.

A edição de maio de 2019 coletou informações de 563 empresas entre os dias 02 e 22 deste mês. A próxima divulgação da Sondagem da Construção ocorrerá em 26 de junho de 2019. O estudo completo está disponível no site.