Economia

Curso Pioneiro da FGV EPGE apresenta pesquisa sobre viés político do Chat GPT

O artigo foi publicado em periódico científico e teve forte destaque na imprensa mundial.

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Curso Pioneiro da FGV EPGE apresenta pesquisa sobre viés político do Chat GPT

“O Chat GPT tem um viés de esquerda”, foi o que concluiu o estudo “More human than human: measuring ChatGPT political bias“, desenvolvido por Valdemar Pinho Neto, professor do curso Chat GPT e IA: Aspectos Econômicos e Sociais” da EPGE Escola Brasileira de Economia e Finanças (FGV EPGE) e coordenador do Centro de Estudos Empíricos em Economia (FGV CEEE), em parceria com os pesquisadores Fabio Motoki, da Universidade de East Anglia, e Victor Rodrigues, da Nova Educação.

Publicado no periódico acadêmico Public Choice, o artigo alcançou visibilidade mundial imediata nas mídias nacionais e internacionais, destacando o Washington Post, Forbes, Sky News UK, The Telegraph e Folha de SP. As matérias podem ser acessadas, através do link.

Valdemar Pinho Neto, professor da Escola Brasileira de Economia e Finanças (FGV EPGE), autor do artigo, é um dos próximos palestrantes do curso de graduação desenvolvido pela FGV EPGE denominado Chat GPT e IA: Aspectos Econômicos e Sociais”, sob coordenação do professor e diretor da EPGE, Rubens Penha Cysne, e do Professor da EPGE Alexandre Madureira. O curso teve início no dia 2 de agosto e se encerra no final de outubro conforme é possível verificar no link.

A pesquisa foi desenvolvida a partir da aplicação de questionário que analisa o posicionamento ideológico em relação a temas econômicos e sociais, para que a IA respondesse de três formas diferentes: como se fosse um apoiador do partido Democrata americano, do partido Republicano, ou sem especificar qualquer ideologia (versão “default”). Com isso foi constatado que, estatisticamente, as respostas sem a incorporação de um lado político (o “default”) foram semelhantes às respostas dadas pela plataforma quando se assume o ponto de vista de um democrata.

O mesmo experimento foi realizado também para os casos do Reino Unido e do Brasil. Os autores concluem que existem evidências robustas de que o ChatGPT apresenta um viés político significativo e sistemático em direção aos democratas nos EUA, Lula no Brasil e o Partido Trabalhista no Reino Unido. Os resultados são confirmados após um conjunto de testes de robustez, que envolveram dose-response analysis, testes de placebo e alinhamento de visão política por profissão.

"É importante ter um instrumento de checagem de viés para large language models (LLM), que estão avançando tão rapidamente na sociedade contemporânea. Tais instrumentos podem ajudar na busca por um melhor uso da inteligência artificial", diz Valdemar Pinho Neto. No estudo, os pesquisadores ressaltam que o método utilizado na pesquisa pode apoiar o dever fundamental de garantir que esses sistemas sejam de fato imparciais, diminuindo potenciais efeitos adversos, e assim resguardando a confiança do público nessas novas tecnologias. Vale mencionar que a contribuição dos autores permite o uso de métodos similares para medir outros tipos de vieses.

De acordo com o professor Valdemar, o alcance imediato da pesquisa pode ser atribuído a uma convergência de fatores, relevantes e atuais, que despertaram o interesse de uma ampla audiência. “Em particular, o artigo aborda uma combinação de tópicos que estão em evidência e em franca discussão no momento, o que contribui para sua rápida notoriedade”, disse ele. Valdemar apresenta quatro pontos de destaque para a rápida disseminação da pesquisa na imprensa internacional:

  • Alinhamento com a atualidade

O artigo se beneficia de estar alinhado com a atualidade ao estudar um tópico da moda: a tecnologia ChatGPT, produto de uma das startups mais atrativas no momento. A tecnologia ChatGPT, baseada em IA, vem ganhando destaque em diversos setores e, naturalmente, chama a atenção de leitores interessados em inovação e tendências tecnológicas. 

  • Polarização política

Este é um fenômeno que tem ganhado considerável atenção nos últimos anos em diversos países. A crescente divisão entre diferentes ideologias políticas tem impactos profundos na sociedade. A capacidade do artigo de contextualizar essa polarização pode ter despertado o interesse de leitores que buscam compreender melhor a influência do avanço tecnológico sobre a dinâmica dessa polarização política.

  • Influência das mídias sociais e tradicionais nas narrativas políticas

Este é um tópico relevante, embora o artigo não aborde esse ponto diretamente, que pode ter capturado a atenção daqueles que sugerem que há uma certa preferência das mídias convencionais pela esquerda. Esse interesse pode ser visto em estudos anteriores que examinam como plataformas digitais, como o Twitter, podem favorecer determinadas tendências políticas, como evidenciado nas eleições americanas.

  • Simplicidade e acessibilidade do método

Por fim, mas não menos importante, o artigo traz um diferencial em sua abordagem metodológica consideravelmente simples. Ao aplicar apenas ferramentas estatísticas básicas, a pesquisa pode ter estabelecido uma ligação acessível e tangível entre os tópicos abordados acima. Com isso, a complexidade do tema pode ser compensada pela simplicidade da metodologia, e isso pode ter ressoado com uma audiência mais ampla e diversificada, incluindo principalmente aqueles que talvez não estejam familiarizados com análises estatísticas mais complexas.

Para ler o artigo completo, acesse o site.