Dados Científicos podem ser instrumentos para redução de custos com saúde e tratamentos médicos nas empresas
Administração
02 Agosto 2018

Dados Científicos podem ser instrumentos para redução de custos com saúde e tratamentos médicos nas empresas

Esse movimento abre espaço para processos de gestão na área. E um dos métodos é chamada Medicina Baseada em Evidência (MBE) que, ao lado de outras fontes de informação científica, se torna ferramenta fundamental de transformação e conhecimento científico aplicado a práticas assistenciais. Além de se tornar um aliado fundamental no controle dos custos.

O Brasil assiste a diversos questionamentos a seu sistema de saúde. Por um lado, os constantes cortes no orçamento público vêm provocando uma redução considerável nos serviços prestados pelos SUS; por outro, o aumento exponencial da inflação da saúde e dos custos com o sistema privado pressiona os operadores a procurar formas de reduzir custos.

Esse movimento abre espaço para processos de gestão na área. E um dos métodos é chamada Medicina Baseada em Evidência (MBE) que, ao lado de outras fontes de informação científica, se torna ferramenta fundamental de transformação e conhecimento científico aplicado a práticas assistenciais. Além de se tornar um aliado fundamental no controle dos custos.

Esse foi o mote da palestra “Importância da Medicina Baseada em Evidência para Gestão de Clínicas e Hospitais”, ministrada pelos professores Adriana André, coordenadora do MBA Executivo em Administração na Gestão de Clínicas, Hospitais e Indústrias da Saúde, e Fábio Ferreira de Carvalho Junior, professor do programa, dentro da 6ª Semana de Educação Executiva promovida pelo FGV Educação Executiva SP a uma audiência eclética, composta por advogados, executivos e funcionários ligados a farmacêuticas e hospitais

Segundo Fábio Ferreira, que também é médico alergista, a MBE busca seguir quatro passos para a sua aplicação: a definição do diagnóstico, as fontes de informação científica e suas respectivas críticas, a elaboração do protocolo e o cálculo para a determinação do custo final, onde entrariam os princípios de farmacovigilância e farmacoeconomia.

“Esse processo torna-se cada vez mais fundamental em um ambiente onde o conhecimento sobre novos procedimentos médicos é cada vez mais veloz. Em 1950, sabia-se que o conhecimento médico dobra a cada 50 anos. Em 2020, a estimativa é que esse prazo caia para 73 dias. Os estudantes que se graduarem neste ano terão que lidar com o dobro de informações que eram disponíveis quando iniciaram a graduação”, aponta o médico.

Ferreira destaca que os hospitais e operadores de saúde estão com dificuldades para lidar com tantas informações, que consistem em novas drogas, novos procedimentos e novos equipamentos. “As empresas ainda incorporam elementos como nuvem, blockchain, práticas não invasivas, ressonâncias que impactam nos custos e na inflação da saúde. Por isso a articulação de dados torna-se fundamental para melhorar a alocação dos recursos, que são finitos”, explica o professor. 

Não só o sistema privado, mas o sistema público pode se beneficiar com o aumento da MBE. “Atualmente o índice de eficiência do SUS em atendimentos primários é calculado em 63%, caindo para 29% quando é necessário adotar algum procedimento de alta complexidade. A utilização desses instrumentos poderia proporcionar uma economia de US$ 115 bilhões”, calcula o professor.

A Fundação Getulio Vargas realizou em São Paulo, de 23 a 27 de julho, a sexta edição da “Semana de Educação Executiva”, com 12 palestras gratuitas de grandes nomes do mercado sobre temas diversos ligados à gestão e aos programas executivos oferecidos pela FGV. Para mais informações sobre os cursos da FGV Educação Executiva, acesse o site.