DAPP inaugura nova área de pesquisa em políticas públicas e saúde

A iniciativa lança a nova linha de pesquisa aplicada ?Saúde em Números?, que tem por objetivo promover a transparência e qualificar o debate em torno das políticas de saúde no Brasil.
Institucional
10 Março 2016

No ano em que o Rio de Janeiro sedia um evento internacional como os Jogos Olímpicos, os casos de dengue cresceram mais de sete vezes na cidade nos dois primeiros meses. Essa é uma das primeiras conclusões de um estudo da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da FGV (DAPP) sobre o panorama da doença no Brasil, divulgado em março. A iniciativa inaugura a nova linha de pesquisa aplicada ?Saúde em Números?, que tem por objetivo promover a transparência e qualificar o debate em torno das políticas de saúde no Brasil.Para o diretor da DAPP, Marco Aurelio Ruediger, a área de Saúde exige acompanhamento constante, pelo seu caráter social. ?É preciso integrar informações públicas e análise qualificada, com o uso intensivo das tecnologias disponíveis ? como os drones ? para facilitar a compreensão mais ampla das ações dos governos. Nosso trabalho busca lançar luz sobre informações capazes não apenas de sensibilizar o Estado a gerar políticas mais eficientes, mas também fornecer insumos para que a população se inclua no debate?. Para a pesquisadora Janaína Fernandes, a ideia da nova área de pesquisa é justamente combinar a análise de dados públicos com dados de rede e novas tecnologias. ?O objetivo do Saúde em Números é buscar soluções inovadoras para transformar os dados coletados em informações de fácil entendimento ao público. É dessa forma que acreditamos ser possível a qualificação do debate público?, afirma. Saúde em NúmerosO levantamento realizado pela DAPP aponta que a cidade do Rio de Janeiro registrou 2,5 mil casos de dengue apenas em janeiro e fevereiro de 2016, frente aos cerca de 319 do mesmo período do ano anterior, segundo dados Secretaria de Saúde do Município. O crescimento não contempla, portanto, os meses de março e abril, quando historicamente há um pico de notificações da doença.Além do aumento do número de casos, a pesquisa mostra que não há correspondência exata entre os dados levantados pelas secretarias estadual e municipal de Saúde, devido a diferenças na forma e na metodologia de contagem. Enquanto para a prefeitura houve, em 2016, mais de 2 mil casos na cidade do Rio, para o Estado houve 246.De acordo com Ruediger, a discordância entre os dados produzidos pelas secretarias municipais e estaduais e pelo Ministério da Saúde dificulta a gestão do combate a doenças como dengue, zika e febre chikungunya.