Dia do professor: docentes relatam entusiasmo com volta às aulas presenciais após pandemia

Hoje, após o período pandêmico, a estrutura da sala de aula foi modificada pelas plataformas de aulas online, por dispositivos e telas. Porém, o prazer e a paixão por lecionar não foram esquecidos.
Institucional
14 Outubro 2022
Dia do professor: docentes relatam entusiasmo com volta às aulas presenciais após pandemia

Quadro, pillot, caneta, papel, carteiras. Essas eram algumas das ferramentas mais usadas por eles, os homenageados em 15 de outubro, Dia do Professor. Hoje, após o período pandêmico, a estrutura da sala de aula foi modificada pelas plataformas de aulas online, por dispositivos e telas. Porém, o prazer e a paixão por lecionar não foram esquecidos.

Àqueles que fazem a diferença na formação de cada indivíduo, desde a formação básica escolar até o ensino superior e a pós-graduação, merecem reconhecimento e destaque devido a sua importância.

Com o intuito de homenagear essas figuras ilustres que abrilhantam o nosso dia a dia com conhecimento, o FGV Notícias entrevistou alguns professores da Fundação: Gustavo Kloh, (FGV Direito Rio); Maria Cecília Asperti (FGV Direito SP), Aloisio Araujo (FGV EPGE); Marcela Canavarro (FGV ECMI) e Marco Antonio Teixeira (FGV EAESP).

Para ver a entrevista assista ao vídeo
 

Por que você escolheu ser professor(a)?
 

Gustavo Kloh (FGV Direito Rio) - Sou professor da FGV Direito Rio há 17 anos. Meu interesse começou na área da pesquisa, com o mestrado e doutorado. Comecei no caminho da pesquisa e com o tempo fui me envolvendo na docência na graduação e na pós-graduação.

Quando se faz uma opção pela docência superior você opta por nunca se formar. A universidade fica sendo a sua casa. O que mais me anima na carreira é que aquilo tudo de bom que a universidade tem, amigos, ideias novas, um lugar de encontro, aprendizado, troca de ideias, isso se perpetua, não acaba nunca, fica na sua vida.

Marcela Canavarro (FGV ECMI) - Sou jornalista, com mestrado em comunicação e doutorado em mídias digitais e busco trazer essa bagagem acadêmica e profissional para a área docente, como professora na FGV.

Eu olhava em volta e pensava que precisávamos pensar em novos formatos, novos caminhos, novas abordagens, para que a compreensão das mensagens na comunicação seja mais qualificada e compreendida. Foi aí que comecei a pensar em lecionar e iniciei o mestrado e o doutorado. Assim, esse percurso de ser professora se consolidou. A partir da minha experiência prática no mestrado como professora tive certeza do que queria seguir e por isso fui para o doutorado.

Maria Cecília Asperti (FGV Direito SP) - Às vezes a gente acha que é uma escolha, mas inconscientemente, eu sempre soube que eu seria professora. Eu ia prestar outro curso, História, e acabei fazendo Direito, e nessa área você não acha que você vai ser professor, mas sim advogado, juiz, promotor e o caminho foi indo e esse inconsciente forte me levou a ser professora.

Acho que era o que eu sempre sabia que eu ia fazer desde que eu ia andando para escola com a minha mãe eu ia ensinando para ela a matéria que ia cair na minha prova. Esse compartilhar é algo pra mim que eu acho que sempre fez parte do meu imaginário, do que eu queria para o meu futuro e do que eu queria, não só enquanto profissão, mas enquanto meio de vida e  escolha para passar meus dias.

Marco Antonio Teixeira (FGV EAESP) - A decisão de ser professor foi a partir da escolha profissional em cursar Ciências Sociais, muito baseada em Fernando Henrique Cardoso, candidato ao Senado. Pelo fato dele ser sociólogo, alguém que se preocupava em pensar nos problemas da sociedade para tentar resolvê-los, comecei a me identificar na escolha de uma carreira. Assim comecei a dar aulas, avancei para o mestrado, doutorado e hoje estou aqui na Fundação. Eu não tenho como olhar para trás e não dizer que não me sinto feliz, muito pelo contrário, me sinto plenamente realizado e identificado com o que eu faço.

Professor Aloisio Araujo (FGV EPGE) - Minha escolha está muito associada a atividade científica, pois voltei para o Brasil com a ideia de trazer ideias novas e divulgá-las, fazer ciência e aproximar o país da fronteira científica.

Eu já estou há muitos anos na área, dando aula no doutorado e eventualmente na graduação. É com enorme prazer que vejo os alunos se desenvolvendo. Você vê que algumas ideias que você colocou nos alunos avançam, se desenvolvendo da sua forma. É bom se ver presente neles.

Como foi voltar à sala de aula após a pandemia?
 

Gustavo Kloh (FGV Direito Rio) - A experiência universitária acontece de maneira remota, mas não de maneira completa. Esse encontro, a necessidade que temos de conversar, de espontaneamente se encontrar, dar início a ideias, projetos, ela só acontece no presencial. Quantos projetos dentro da universidade não nascem no almoço, no café, no corredor. Isso não acontece no online.

Marcela Canavarro (FGV ECMI) - É uma diferença brutal. Durante a pandemia tivemos uma turma online, de MBA, bem participativa, que dá um pouquinho desse calor humano presencial. Porém, a troca de conhecimento é afetiva e a convivência física tem muito disso. Levando em consideração que a primeira turma do novo curso de Comunicação vai abrir no início do ano que vem, tenho todas as expectativas de que esse reencontro na sala de aula física possa potencializar mais essa experiência.

Maria Cecília Asperti (FGV Direito SP) - Acho que foi difícil para todo mundo, sem exceção, mas para a gente, professor, foi muito difícil, e no final acho que já estávamos bastante esgotados. Essa interação online nos trouxe uma série de possibilidades. A gente cresceu enquanto professores explorando essas possibilidades, mas para mim nada substitui um encontro na sala de aula. Essa troca presencial, esse instante do encontro, como a gente costuma falar, é o momento mais feliz da nossa semana

Marco Antonio Teixeira (FGV EAESP) - Não tem palavras para dimensionar, a pandemia foi um sofrimento que não dá para você simplesmente quantificar. Nada substitui o afeto, o contato. Acho que essa certeza é muito importante, porque antes da pandemia havia um super endeusamento das tecnologias, de que elas iam de certa forma ser a resolução para tudo. Não é, mas para as relações humanas ajuda, ela aproxima, mas não substitui. Talvez nós estejamos aprendendo agora a equilibrar esse processo. Mas para mim fica uma certeza muito grande, a proximidade é o que faz sentido no relacionamento social. 

Professor Aloisio Araujo (FGV EPGE) - O online funciona bem, mas a presença é essencial e o magnetismo pessoal. Ver a reação dos alunos ao vivo é fundamental.

Qual o seu sentimento em relação à docência?
 

Gustavo Kloh (FGV Direito Rio) - Toda vez que penso em universidade, penso em casa, pois a universidade é uma casa diferente, onde nos encontramos com pessoas que fazem parte do nosso espaço afetivo, pessoas que nós amamos, para fazer coisas diferentes que faríamos na nossa casa. Aqui nos encontramos para pensar, imaginar um futuro diferente. A gente se encontra para ter ideias, para conversar, para mudar o mundo. A universidade é essa casa do encontro e é maravilhoso ter esse encontro com vocês todas as semanas.

Marcela Canavarro (FGV ECMI) - Eu amo os meus alunos. É uma relação que tem uma troca que não é apenas passar conteúdos e lições, envolve afetividade, uma energia vital, subjetividades, pois a troca de conhecimento tem que ser afetiva.

Maria Cecília Asperti (FGV Direito SP) - Eu faço esse ano 10 anos de FGV. Enquanto professora, pesquisadora, já trabalhei algumas outras áreas e tenho enorme felicidade da carreira que acabou se colocando perante a mim, não só na área de pesquisa, mas principalmente na docência. Tenho um sentimento de tranquilidade, serenidade, de estar no caminho certo, com uma enorme gratidão. A sala de aula para mim é por animação, é troca e compartilhamento.

Marco Antonio Teixeira (FGV EAESP) - Um sentimento de trajetória cumprida, de quem apostou que esse era o caminho, largou uma outra carreira. É isso que me dá prazer, eu não consigo me imaginar de outro jeito. E eu digo com muita franqueza, faria tudo de novo, eu me encontrei enquanto profissional, me encontrei enquanto pessoa e me encontrei enquanto ser sociável.

Nesse caminho de ser professor e de ter percebido que essa interação a gente ensina e aprende boa parte daquilo que eu aprendi na vida, eu devo aos alunos, não tenho dúvida nenhuma em relação a isso, e hoje digo com muita franqueza que eu aprendo muito mais com eles do que consigo ensinar.  

Professor Aloisio Araujo (FGV EPGE) - Eu tenho uma enorme satisfação com mais de 50 alunos de doutorado e fico contente que vários tem uma carreira científica brilhante, no exterior e aqui no Brasil, na vida pública e privada. Por isso, valorizar a questão dos professores é muito importante, pois aqui no Brasil não existe esse status.

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