Economista do IBRE comenta as medidas do Plano Brasil Maior, lançado pelo governo na última terça-feira

Institucional
05 Agosto 2011

Apesar de ter sido lançado como uma nova política industrial, O Plano Brasil Maior ? anunciado na última terça-feira pelo governo ? foi recebido com cautela por Maurício Canêdo, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) e professor da Escola Brasileira de Economia  e Finanças (EBEF). Ele acredita que as medidas anunciadas não representam uma novidade, mas sim uma continuação dos modelos anteriores. ?O plano não apresenta ruptura com a política industrial anterior. Na verdade, ele é para ?proteger? a indústria brasileira do câmbio valorizado, da concorrência chinesa, servindo mais como um paliativo para contornar problemas estruturais do que instaurando realmente uma política industrial que estimule a inovação?, diz Canêdo. Canêdo lembra que o Brasil já teve experiências mal-sucedidas com políticas industriais de cunho protecionista, citando umas das medidas do Plano: ?por exemplo, o sobrepreço de até 25% em compras públicas para determinados setores a favor da produção brasileira. Esta medida, que serviria para estimular a inovação pelo lado da demanda, pode ser usada para criar uma reserva de mercado que acaba por criar uma indústria ineficiente, como já foi visto no Brasil nas décadas de 70 e 80?, pondera. ?O risco é criarmos novamente indústrias ineficientes, que não são capazes de sobreviver se não foram protegidas, além de serem incapazes de competir no mercado externo?, continua, acrescentando que o maior prejuízo, neste casos, é do consumidor. No entanto, Maurício Canêdo encara com mais otimismo a medida que desonera a folha trabalhista de setores como confecções, calçados, móveis e softwares. ?Ela pode ser uma espécie de piloto para se pensar uma reforma mais ampla que desonere a folha salarial no Brasil, o que efetivamente tornaria nossa indústria mais competitiva?, afirma. Quanto ao possível impacto nas contas da Previdência Social, Maurício tranquiliza. ?Os setores afetados pela medida representam uma parcela dos trabalhadores pequena, embora empreguem muito. Pontualmente isso não vai desequilibrar as contas da Previdência?. Ao todo, o conjunto de medidas do Plano Brasil Maior representará um alívio de 25 bilhões de reais nos encargos dos setores industriais que o plano quer fortalecer. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior disponibilizou uma página na internet com informações sobre o Plano Brasil Maior. O endereço é http://www.brasilmaior.mdic.gov.br/oplano/brasilmaior/