Economistas do IBRE estimam desaceleração econômica para o terceiro trimestre

Institucional
17 Setembro 2013

O crescimento do PIB acima do previsto no segundo trimestre não foi suficiente para reverter as expectativas pouco otimistas dos economistas para o resto do ano. Em seminário realizado ontem, 16 de setembro, os pesquisadores da área de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia (FGV/IBRE) anunciaram previsão de crescimento de 2,3% do PIB no terceiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2012. Isso representa uma queda de 0,4% na margem, ressaltou o coordenador do seminário do Boletim Macro IBRE, Regis Bonelli. As estimativas do IBRE para o PIB de 2013 é de expansão de 2,5%, com crescimento de 0,9% no quarto trimestre. Segundo Bonelli, no terceiro trimestre a agropecuária deverá representar uma contribuição negativa ? uma vez que o volume da safra deve ser reduzido em comparação aos trimestres anteriores ?, bem como a indústria de transformação. Desde o início do ano a indústria apresenta um comportamento volátil. Em agosto, deverá repetir o mesmo nível de produção de julho, que não é bom, com a capacidade instalada registrando pequena queda e um aumento do nível de estoques entre julho e agosto. Já no caso dos serviços, o economista apontou que o bom resultado registrado até agora se deveu a fatores transitórios, como o comércio de caminhões e o bom desempenho da agropecuária, que além dos números positivos da safra, teve aceleração nos dados de abate da pecuária.Na ocasião, os especialistas destacaram a persistência da tendência de queda nos indicadores de confiança empresarial, principalmente dos produtores de bens de capital, sinalizando uma possível desaceleração dos investimentos. Apesar de os índices demonstrarem recuperação em relação aos níveis de julho, quando houve uma queda brusca, essa recuperação demonstrou ser parcial, representando apenas 60% no caso empresarial, com a indústria registrando o menor índice desde julho de 2009. No caso da confiança dos consumidores, essa parou de cair, após nove meses em declínio, mas ficou estacionada em um nível abaixo do que observamos em termos históricos, afirmou o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos do IBRE, Aloisio Campelo.Quanto às perspectivas para a inflação, o superintendente adjunto de Inflação do Instituto, Salomão Quadros, destacou que em setembro a taxa do IPCA acumulado em 12 meses ficou abaixo dos 6% pela primeira vez no ano, e que não deverá superar esse limite. A alimentação em domicílio contribui favoravelmente para esse quadro. Nossa projeção é de que ficará em 8,2% nos 12 meses terminados em dezembro, e ainda há margem para redução, devido a um novo ciclo de queda dos produtos in natura como a carne bovina. Além disso, os efeitos do câmbio vieram brandos se comparados a outros períodos recentes de desvalorização, afirmou.Quadros ainda ressaltou a contribuição dos preços administrados para esse resultado, estimando que fechem o ano a uma taxa de 1,7%, contra 4,3% em 2014, quando pesarão aumentos de gasolina e energia elétrica. O economista destacou que esse cenário poderá dar margem a uma antecipação do aumento da gasolina, de 7%, o que levaria as taxas de administrados para 2,6% e 3,5%, em 2013 e 2014, respectivamente.