Educação Executiva da FGV reúne CEOs para debate sobre economia compartilhada
Institucional
04 Dezembro 2017

Educação Executiva da FGV reúne CEOs para debate sobre economia compartilhada

Um exemplo clássico de economia compartilhada, lembrado pelo professor Pérsio Talarico, é o aproveitamento de excedentes, que se transformam em outro produto ou estilo. Foi o que ocorreu nas Cerâmicas São Caetano. Produtos que não eram aproveitados eram doados aos trabalhadores, que os aproveitavam quebrando-os em cacos e aplicando-os em cômodos de residências populares.

A Educação Executiva da FGV promoveu em 21 de novembro o Summit “Criando uma economia compartilhada de ativos em atrativos” com a presença de diretores e CEOs de diversas companhias para marcar o lançamento da rede de compartilhamentos co.leadernet.

Para Pérsio Talarico, professor de Educação Executiva da FGV, economia compartilhada é um conceito, ao mesmo tempo, contemporâneo e em reconstrução no Brasil. “É importante envolver os CEOs no processo, porque muitos projetos são interrompidos por ineficiências internas vindas de departamentos como TI, jurídico, RH, logística e distribuição. Esses projetos demandam uma mudança de postura e de cultura das companhias”, analisa.

Um exemplo clássico de economia compartilhada, lembrado pelo professor, é o aproveitamento de excedentes, que se transformam em outro produto ou estilo. Foi o que ocorreu nas Cerâmicas São Caetano. Produtos que não eram aproveitados eram doados aos trabalhadores, que os aproveitavam quebrando-os em cacos e aplicando-os em cômodos de residências populares. Transformou-se em um estilo e, passados 50 anos, ainda sobrevive, atingindo um valor agregado superior aos produtos originais.

Segundo o professor, essa é uma das manifestações da economia compartilhada, que podem ser coletivas, quando a coletividade se utiliza de um mesmo bem; colaborativas, quando envolvem o trabalho de terceiros e compartilhadas, quando envolvem ativos utilizados por mais de um agente. Nos Estados Unidos, há mais de 160 atividades de economia compartilhada, desde hortas orgânicas até artefatos e brinquedos para crianças e mesmo os modelos já consagrados, como o AirBnb.

Para o professor Fábio Gallo, o fenômeno da economia compartilhada está relacionado à preocupação com o futuro e com momentos críticos da humanidade.

“É na crise que passamos a pensar em soluções compartilhadas. Muitas dessas soluções passam por acesso a novas tecnologias e compras de equipamento, aproveitamento de capacidade ociosa, terceirização de processos e nacionalização de peças”, complementa.

Um exemplo de inovação baseada em economia compartilhada foi dado por Renato Franklin, CEO da Movida, empresa de aluguel e compartilhamento de carros no Brasil, um setor que vem crescendo 15% ao ano entre 2010 e 2016 e que movimenta R$ 12 bilhões.

Franklin atribui este desempenho a uma série de ações que aumentaram o valor agregado de locação de automóveis. “A Movida foi a primeira organização a oferecer Waze já em 2015 e trabalha incessantemente junto a empresas na renovação de frotas corporativas.

Outro ponto de inovação, segundo o executivo, foi oferecer modelos de carros mais luxuosos, como Audi, por exemplo. “Desta forma proporcionamos uma experiência diferente a públicos e desta forma disseminamos os nossos serviços”.

Ao final, promoveu-se uma mesa redonda mediada por Daniel Fernandes, editor de Pequena e Médias Empresas do Estadão, com participação de Lucas Mendes, da WeWork, Bruno Gellert, da Peer Dustry, e Eduardo Alvarenga, presidente da Elemidia, no qual expuseram os principais gargalos e desafios para a implementação da economia compartilhada no país.

Para Bruno Gellfert a crise é um dos impulsionadores do movimento. “É preciso entender que o modelo de negócios que vivemos não funciona mais por causa da crise e, ao mesmo tempo, as empresas passaram a aceitar mais a entrada de novos paradigmas porque precisam se reinventar”.

Lucas Mendes, do Wework, lembrou que a inovação por economia compartilhada independe de momentos da crise, sendo que os bancos não estão em crise, mas estão investindo em novos modelos de rearranjo da economia por acreditar ver neles novas oportunidades de negócio.

Já para Eduardo Alvarenga da Elemidia, o fator crise impulsionou a necessidade de compartilhar com o maior número possível de parceiros novas formas de gestão e provocar um movimento de saído de zona de conforto por parte das grandes empresas.