Entrevista com Luiz Ernesto Migliora, novo Diretor Executivo Comercial do IDE

Institucional
29 Julho 2011

Luiz Ernesto Migliora, 48 anos, é carioca, casado e pai de duas filhas, uma de 18, outra de 21 anos. Depois de viver e trabalhar em diversos países, Migliora ? que se diz um ?cidadão do mundo? ? volta à cidade natal com uma missão: aumentar a receita dentro da FGV. Em uma entrevista exclusiva para a newsletter Semana FGV, o novo Diretor Executivo Comercial do IDE conta um pouco de sua trajetória profissional, comenta os desafios de sua gestão, suas expectativas, e lembra que o êxito só é possível em equipe. ?Ninguém aqui tem que ser herói. A equipe é que vence?. Diretor, conte-nos um pouco sobre sua vida profissional. Sou executivo há 30 anos. Trabalhei durante 15 anos na área de Comércio Exterior de uma trading, a SAB Trading, onde me formei profissionalmente. Lá eu era o responsável pela divisão de siderurgia. A trading me proporcionou viajar o mundo inteiro: Estados Unidos, Oriente Médio, Índia, América Latina... Depois, em 1997, abri minha própria empresa, a Intersource, com meu pai. Nossas operações não se limitavam ao aço nem ao minério de ferro, mas também abarcavam importação de alimentos, embalagens, em uma época em que o câmbio facilitava as importações. Em 1999 fiz o MBA de Marketing aqui na Fundação. Em 2001 recebi um convite para ser Diretor de Exportação da Companhia Siderúrgica Nacional, CSN, e então fechei a minha empresa. Em 2002, ano da eleição do Lula, houve uma incerteza muito grande e o câmbio chegou a quase quatro reais. Foi quando as vendas da CSN bateram todos os recordes, fazendo com que a empresa priorizasse o mercado externo e o faturamento aumentasse muito. Em 2004, fui convidado para ser CEO da CSN LLC. Tive que me mudar para os Estados Unidos e lá começamos a vender o aço brasileiro. Multiplicamos o negócio em cinco vezes ? 750 milhões de dólares, em três anos. Depois, manifestei minha vontade de ser repatriado. Continuei na CSN como Diretor de Fusões e Aquisições e depois na Metalúrgica Prada, do grupo. Em novembro de 2008 me tornei Diretor Executivo da Soluções Usiminas. Eu entrei na Usiminas para criar a Soluções. Fiquei lá até fevereiro deste ano. Como CEO da Soluções Usiminas, fizemos a fusão de quatro grandes empresas e de duas unidades de negócios, formando uma empresa de R$ 3 bilhões de faturamento, a maior do setor de distribuição do Brasil. E como o Diretor veio para a FGV? Depois de receber e avaliar várias propostas, decidi vir para a Fundação Getulio Vargas por algumas razões. Uma delas por ser no Rio; sou daqui, mas há muito tempo não vivia na cidade. Vim para um período de longo prazo, espero ficar por mais de 20 anos. Meus rendimentos virão dos meus resultados como Diretor Executivo Comercial do IDE. No entanto, a principal razão é acreditar que posso realizar um bom trabalho, aumentando a receita da FGV. Vim para unir a FGV como um todo, e trago uma bagagem rica de contatos ao longo de meus quase 30 anos de experiência, que serão compartilhados dentro de um sistema onde a ética e os interesses da FGV prevaleçam. Como é sair da área siderúrgica e vir para uma instituição acadêmica, uma think tank como a Fundação? Minha experiência na área comercial de siderurgia me permite aumentar o faturamento da FGV, seja com cursos presenciais, online, ou corporativos do IDE. Venho para criar mecanismos que façam com que não exista atrito entre as áreas, para formar equipes que trabalhem em conjunto, para determinar políticas de preços e descontos, ou seja: para desenvolver políticas comerciais e para fazer com que o IDE seja verdadeiramente uma unidade dentro da FGV. O que prevalece aqui é a minha experiência comercial. Quais são os desafios da sua gestão? O IDE está passando por uma transição e reorganização; eu vou concentrar atividades comerciais, contatos com a rede conveniada, intensificar contatos com empresas. Nesta sexta-feira (29 de julho) temos uma primeira reunião com a CSN para discutirmos o melhor curso, o melhor programa, junto com as três áreas (Management, In Company e Online). Vamos trabalhar em equipe. A minha vida profissional mostra que o herói sempre morre no final do filme com um tiro nas costas. Ninguém aqui tem que ser herói, a equipe é que vence. E por isso devemos fazer com que a área seja interessante, que a pessoa venha trabalhar feliz. Também temos que aproveitar o potencial de 60 anos de Escola, preparar melhor o profissional brasileiro num contexto em que o Brasil desponta, precisa crescer, mas precisa de mão-de-obra qualificada. A FGV é uma instituição de ensino diferenciada dentro do país; as ações do Online são de extrema importância para o Brasil, trazendo inclusive oportunidades para pessoas que não as teriam. Mas o principal desafio é aumentar rentabilidade e aumentar o resultado, aproveitando as sinergias entre as áreas do IDE e também a das outras escolas e unidades. Acredito que o crescimento da Fundação passa pela combinação das culturas acadêmica e de negócios. E quais são as suas expectativas? Aproveitando esse potencial do IDE e a sinergia entre as áreas, o aumento de faturamento é uma conseqüência natural.  Atualmente vejo um potencial enorme no Online, somos líderes nessas tecnologias. Além disso, estamos em um momento de expansão e já tive a oportunidade de participar de licitações para novas praças: Campo Grande, Chapecó, Lages, Criciúma, Feira de Santana e Vitória da Conquista. Também estamos unificando o convênio com toda a rede. Temos sempre o objetivo de crescer, mas lutando continuamente para aprimorar a qualidade acadêmica dos nossos cursos ? o IDE é o instrumento de crescimento da Fundação, é o que a viabiliza, fornecendo 95% da nossa receita. Tenho a ideia de criar o núcleo FGV de aço para sermos um centro de estudos sobre siderurgia, o que pode alavancar o IDE através de novos cursos, ou a FGV Projetos através de consultorias. Estarei me reunindo com diversas escolas para decidirmos onde seria o melhor local para este conhecimento vir a existir. Creio que posso ajudar a unir mais a Fundação, Rio e São Paulo, que podemos crescer na América Latina no futuro. E tenho muito orgulho de estar na Fundação, estou motivado, posso contribuir com a minha experiência para renová-la. A FGV é a elite intelectual do nosso país.