Estudo avalia pegada de carbono de automóveis fabricados no Brasil

O trabalho será desenvolvido em seis etapas e terá contribuições tanto da equipe técnica da Fundep/Rota 2030 como do comitê consultivo, que será formado por associações setoriais, empresas e especialistas de avaliação de ciclo de vida. 
Economia
30 Outubro 2023
Estudo avalia pegada de carbono de automóveis fabricados no Brasil

A proposta é quantificar os impactos da produção de veículos leves nas mudanças climáticas e mapear as principais fontes de emissões do processo, desde a extração da matéria prima até a fabricação nas montadoras 

Ao longo dos próximos dois anos, o Centro de Estudos em Sustentabilidade (FGVces) da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EAESP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) vão trabalhar em parceria para avaliar a pegada de carbono de veículos leves tipo automóveis fabricados no Brasil. A proposta do projeto é:  

  • Quantificar os impactos da produção de automóveis, desde a extração da matéria prima até a fabricação nas montadoras, ou seja, do berço ao portão da fábrica; 

  • Mapear as principais fontes de emissões de gases de efeito estufa (GEE) e principais oportunidades de redução associadas a elas; 

  • Identificar as principais diferenças em relação à produção de veículos em outros países (benchmarking internacional). 

O projeto de pesquisa integra o programa Rota 2030, mais especificamente a Linha V – Biocombustíveis, Segurança Veicular e Propulsão Alternativa à Combustão, coordenada pela Fundep. O trabalho será desenvolvido em seis etapas e terá contribuições tanto da equipe técnica da Fundep/Rota 2030 como do comitê consultivo, que será formado por associações setoriais, empresas e especialistas de avaliação de ciclo de vida. 

Para avaliar a pegada de carbono e entender as diferenças de cada tecnologia e modelo de produção, serão avaliados oito veículos representativos do setor brasileiro, sendo: três veículos com tecnologias convencionais (motor a combustão interna) e rotas de produção tradicionais, e cinco com novas tecnologias (elétrico ou híbrido) e/ou rotas de produção alternativas (uso de biopolímeros, uso de cerâmicos, produção 100% nacional).  

Ferramenta para a tomada de decisão 

Além de produzir um estudo completo, detalhado e revisado por terceira parte sobre a pegada de carbono dos modelos selecionados, o projeto resultará na elaboração de uma ferramenta setorial para o cálculo da pegada de carbono.  

Ou seja, qualquer empresa do setor automotivo poderá aplicar individualmente a ferramenta para entender os impactos de sua produção sobre as mudanças climáticas e, a partir disso, estabelecer uma cultura de gestão eficiente de emissões de GEE.  Para apoiar nessa etapa, o projeto contemplará ações de formação, capacitação e comunicação. 

“Queremos que o trabalho seja referência para pesquisas desse tipo, resulte na promoção de estratégias de redução de emissões de GEE a serem utilizadas em âmbito público e empresarial e amplie o olhar do setor para a sua cadeia de suprimentos, a partir de uma perspectiva de inovação e disseminação da importância da mitigação da mudança do clima para a sociedade brasileira”, avaliou Mario Monzoni, coordenador do FGVces. 

Uma vez caracterizada a produção nacional de veículos leves, o projeto ainda identificará suas principais diferenças em relação à produção de veículos em outros países.  

Indústria automotiva nacional  

O Brasil é o oitavo maior produtor de veículos no mundo e o sexto maior mercado automotivo. A emissões de GEE do setor correspondem a aproximadamente 10% das emissões totais brasileiras – e metade desse montante tem origem no transporte de passageiros.  

A mitigação das mudanças do clima é um dos compromissos assumidos no Acordo de Paris pelo Brasil, que espera alcançar a chamada “neutralidade climática” em 2050.  

Nesse sentido, o projeto ‘Do berço ao portão’ une a necessidade de alterações no sistema produtivo do setor automotivo à demanda por mercados mais competitivos, nos quais o Brasil pode ter vantagem, visto que sua matriz energética é predominantemente renovável. “Queremos mobilizar o setor em torno de esforços para a identificação de limitantes e de potencialidades da indústria nacional, pavimentando o caminho para a fabricação de veículos que contribuam para a redução das emissões de GEE na atmosfera”, conclui Monzoni.   

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