Estudo mostra que acesso ao crédito por empresas continua com restrição em junho

Resultado é decorrente da redução do percentual de empresas que, na sondagem, afirmaram “facilidade” de acesso ao crédito (de 10,8% para 7,7%), ainda que a parcela das empresas que relataram “dificuldade” tenha caído de 36,8% para 33,8%
Economia
24 Junho 2020
Estudo mostra que acesso ao crédito por empresas continua com restrição em junho

O Indicador de Facilidade de Acesso ao Crédito, apurado pelo FGV IBRE na prévia das sondagens empresariais, indica que neste mês de junho a disponibilidade de crédito para as empresas continua, por enquanto, ainda restrita, apesar dos recentes esforços do governo de ampliar esse acesso. O indicador alcançou 55,6 pontos, próximo ao nível observado em maio (56,2 pontos). O resultado é decorrente da redução do percentual de empresas que, na sondagem, afirmaram “facilidade” de acesso ao crédito (de 10,8% para 7,7%), ainda que a parcela das empresas que relataram “dificuldade” tenha caído de 36,8% para 33,8%.

O nível de indicador prévio de junho é o menor desde junho de 2016, quando alcançou 55,3 pontos. Apresenta queda acumulada de 39,7 pontos desde janeiro deste ano, quando chegou a 95,3 pontos, perdendo 31,8 pontos apenas entre março e abril, a maior queda mensal da série histórica. Houve perda de mais de 41% do indicador em apenas cinco meses, movimento que não ocorreu nem durante a crise de 2014-2016 (no período de novembro de 2014 a setembro de 2015, o indicador caiu 37%).

Entre os setores, neste mês, apenas Serviços tende a apresentar queda, indo de 60,5 pontos para 54,5 pontos, o menor valor da sua série histórica. Se esse resultado se confirmar, o setor terá perdido 36,6 pontos (ou 40%) do maior valor observado no ano (90,8 pontos em janeiro). Ainda pelos resultados da prévia, o Comércio tende a reverter parte da queda do mês passado, saindo de 45,5 pontos, o menor valor da sua série, para 50,3 pontos. Embora o resultado seja positivo, ainda é o menor nível entre os setores e apresenta queda acumulada de 30,2 pontos em relação ao maior valor do ano (80,5 pontos em fevereiro), ou 38% do indicador.

Já a Construção teria desempenho favorável, com alta de 3,0 pontos, para 72,4 pontos, fazendo com que o indicador estivesse apenas 11,2 pontos abaixo do maior valor do ano (83,6 pontos em março). Por último, a Indústria ficaria praticamente estável em relação a maio, sendo o setor com a maior perda absoluta em relação ao maior valor do ano (110,2 pontos em janeiro), ‒44,4 pontos (40% do indicador).

Confira o artigo da pesquisadora Renata de Mello Franco sobre o tema.