Estudo mostra que interações na produção avícola geram aprendizados sobre sustentabilidade

Trata-se de uma pesquisa qualitativa baseada em 24 entrevistas realizadas de outubro a novembro de 2019 e de agosto de 2020 a abril de 2021 com representantes de diferentes níveis da cadeia de suprimentos da avicultura.
Administração
30 Maio 2023
Estudo mostra que interações na produção avícola geram aprendizados sobre sustentabilidade

No sul do Brasil, as interações contínuas entre produtores de aves, fornecedores que comercializam essa produção e uma empresa abastecida geram ciclos de aprendizado que impactam as práticas de sustentabilidade dessa cadeia de suprimentos.

Segundo o artigo das pesquisadoras da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EAESP) Karina Santos e Susana Carla Farias Pereira publicado na revista “International Journal of Operations & Production Management”, o compartilhamento do conhecimento entre esses atores pode provocar a aprendizagem de novos valores e ideias e a desaprendizagem de práticas antigas em gestão de resíduos, biossegurança e bem-estar animal.

Trata-se de uma pesquisa qualitativa baseada em 24 entrevistas realizadas de outubro a novembro de 2019 e de agosto de 2020 a abril de 2021 com representantes de diferentes níveis da cadeia de suprimentos da avicultura. As interações investigadas compreendem a empresa compradora – uma rede de restaurantes multinacional -, fornecedores de primeiro nível com certificação de sustentabilidade, fornecedores não certificados e uma rede de subfornecedores formada por 1073 propriedades rurais. O artigo é fundamentado, ainda, em pesquisas documentais e em duas etnografias realizadas durante 55 dias do ano de 2020 em duas fazendas não certificadas e, em 2021, durante 19 dias em uma propriedade certificada.

O conhecimento compartilhado entre especialistas e novatos, por exemplo, pode ser incorporado em práticas materiais e trazer soluções para processos cotidianos. Subfornecedores vizinhos tendem a compartilhar entre si aprendizados da experiência, mesmo em propriedades não certificadas e, portanto, menos impactadas pelas exigências do comprador e da organização certificadora. Um dos exemplos é o uso do desidratador, um equipamento que reduz o volume de dejetos, adotado por um proprietário não certificado após utilizar o método em outra propriedade.

Em outro caso, um veterinário que presta suporte técnico ao fornecedor aprendeu com o filho do proprietário de um aviário a utilizar um aplicativo de controle das condições do ambiente. E, em mais uma interação observada, o subfornecedor desconfiou das informações técnicas do veterinário, mas as adotou em sua prática após verificar bons resultados.

Para otimizar essas interações, o estudo alerta que as empresas precisam transmitir melhor o valor da sustentabilidade aos fornecedores e subfornecedores, levando em consideração como as práticas atuais foram ensinadas e aprendidas.

Confira o artigo na íntegra.

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