Euro é obra inacabada que vai quebrar alguns países, diz economista da FGV

Institucional
07 Fevereiro 2012

A atual fase da crise europeia deixou evidente que a criação do euro foi um passo maior do que as pernas das autoridades políticas e econômicas empenhadas em aprofundar a integração do continente. A zona do Euro vai conhecer a inflação e alguns países vão quebrar. A avaliação é do consultor do Ibre/FGV Samuel de Abreu Pessoa que classificou de ?uma obra inacabada? a instituição da moeda no continente. Durante seminário interno no Ibre, Pessoa ressaltou que são dois os motivos que contribuíram para reduzir o custo de capital do bloco: a queda dos juros internacionais em função da grande moderação e a queda dos spreads dos países periféricos em função da entrada na área monetária do Euro. ?Esta queda dos spreads foi potencializada por um erro de arquitetura da área monetária que impôs que a regulação prudencial tratasse todos os títulos soberanos de forma idêntica? afirma o economista. Ainda segundo ele, as instituições financeiras que operam nos países da zona do Euro têm de estar sob a regulação de uma agência federal dotada de uma lei de falência bancária ?nos termos do PROER (que não temos mais no Brasil) ou nos termos da lei americana que desde 2010 aplica-se há uma grande gama de instituições?. Esta agência pode intervir na instituição e, se for o caso, separar banco bom do banco ruim - vender o banco bom, dar perda total no capital e na dívida subordinada. ?E mais. A agência tem que ser dotada de um fundo garantidor de depósitos para que a intervenção não interfira no funcionamento regular e ordenado do mercado financeiro? destaca. O economista opina como inevitável o surgimento de uma inflação generalizada no bloco ? inclusive na Alemanha ? e entende que a competitividade das economias problemáticas será automaticamente corrigida. Na avaliação dele, alguns países foram ?cigarra?, como Portugal e Grécia, e outros foram ?formiga? - como Alemanha e França. ?Por outro lado é possível que a inflação na Alemanha induza forte migração de trabalhadores o que estancará em parte a inflação de sorte que a mobilidade de trabalho comece a fazer o seu serviço e a zona do Euro se aproxime de uma zona monetária ótima. A entrada de países periféricos na região do Euro agravou a situação produzida pela grande moderação da política monetária adotada pelo bloco?, diagnostica. Ainda segundo Pessoa, se a inflação não for uma saída possível em algum momento, os juros básicos na Europa irão aumentar dificultando a rentabilidade dos bancos. 

Nosso website coleta informações do seu dispositivo e da sua navegação por meio de cookies para permitir funcionalidades como: melhorar o funcionamento técnico das páginas, mensurar a audiência do website e oferecer produtos e serviços relevantes por meio de anúncios personalizados. Para saber mais sobre as informações e cookies que coletamos, acesse a nossa Política de Cookies e a nossa Política de Privacidade.