Ex-aluno da graduação da EESP recebe título de doutor em economia política por Harvard

Sua tese, dividida em três artigos, abordou o impacto da corrupção na qualidade da provisão dos serviços públicos e sobre os efeitos da seca no nordeste brasileiro para o desenvolvimento econômico e humano.
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06 Maio 2016

Aluno da primeira turma da Escola de Economia de São Paulo da FGV (EESP), formada em 2007, Guilherme Finkelfarb Lichand completou mais uma etapa importante de sua carreira. Ele acaba de concluir o doutorado (PhD) pela Harvard Kennedy School em Economia Política. Sua tese, dividida em três artigos, abordou o impacto da corrupção na qualidade da provisão dos serviços públicos e sobre os efeitos da seca no nordeste brasileiro para o desenvolvimento econômico e humano.?A introdução de um programa anticorrupção no Brasil em 2003 reduziu substancialmente corrupção no uso de recursos federais pelos municípios, mas também prejudicou dramaticamente a qualidade da saúde nesses municípios, porque o gasto municipal caiu depois do programa e a relação de corrupção por real gasto, na verdade, aumentou. O segundo e terceiro artigos são sobre a psicologia da seca. Uma literatura recente documentou que escassez de recursos captura a capacidade cognitiva daqueles que têm que se preocupar com o risco de choques, sem ter espaço para acomodá-los no orçamento?, explicou.Guilherme conta que a oportunidade de estudar em Harvard o fez perceber que pesquisar sobre economia política e desenvolvimento econômico é uma tarefa para empreendedores, pois envolve viagens para outros países e que demandam soluções criativas para problemas complexos. Nesse período, ele pôde constatar que há pouco interesse de acadêmicos estrangeiros em pesquisar sobre o Brasil.?Percebi que quase ninguém vinha ao Brasil fazer pesquisa, embora o nordeste brasileiro seja tão pobre quanto muitos países africanos. Aos poucos ficou claro que o que estava faltando para isso acontecer era infraestrutura de pesquisa. Imaginei que o celular poderia fornecer essa infraestrutura de pesquisa. E é exatamente o que está acontecendo: o projeto sobre a seca no Ceará foi até aqui financiado pelas universidades de Harvard e Warwick, em parceria com a Anandi Mani. Outro projeto, sobre transportes, conta com parceria do Edward Glaeser, professor de Harvard. Estamos trazendo mais cérebros para pensar os problemas do Brasil?, conta.Com a conclusão do doutorado, Guilherme se prepara para voos mais altos. Em setembro, ele assume o posto de professor assistente do departamento de Economia da Universidade de Zurique, na Suíça, onde também será coordenador do centro da Unicef de Bem-estar e Desenvolvimento Infantil. O economista também segue à frente da MGov, uma plataforma mobile de políticas públicas e avaliação de impacto social que, em 2014, foi reconhecida pelo MIT Technology Review como a principal inovação social liderada por jovens brasileiros. Prestes a iniciar uma nova etapa profissional, o ex-aluno da EESP não esquece o início dessa trajetória.?Foi na EESP onde me formei economista e onde primeiro surgiu o desejo de trabalhar com políticas públicas baseadas em evidência. Foi o único vestibular de Economia que prestei, justamente porque a escola tinha uma proposta inovadora de pensar uma agenda para o Brasil. A experiência foi motivadora. Eu não tinha planos de seguir estudando economia, mas em uma visita da Deirdre McCloskey à escola (2007), ouvi dela que ?era preciso conhecer profundamente algo antes de criticá-lo?. Decidi seguir em frente com o mestrado (na PUC-Rio). Depois, trabalhei no Banco Mundial em Brasília e aí achei que era importante seguir para o PhD. A EESP esteve no início de tudo?, finaliza.